- Iraneses voltaram às ruas nesta semana para prestar homenagem aos mortos pelas forças de segurança, em meio a novos choques de autoridades inspirado na Revolução Islâmica de mil novecentos setenta e nove.
- O ato de lembrar, quarenta dias após as mortes, ganhou contornos de protesto em várias cidades, com civis pedindo demissão dos governantes clericais.
- Em Abdanan, na província de Ilam, testemunhas disseram que as forças de segurança abriram fogo contra centenas de manifestantes em um cemitério.
- Parte dos homenageados transformou-se em protesto contra o governo, e houve recebimento de força letal em outras cidades, como Mashhad e Hamadan.
- Autoridades restringiram o acesso à internet e realizaram prisões de jornalistas, advogados, ativistas e estudantes, em meio a temores de uma escalada de violência.
Irã volta às ruas neste início de semana para prestar homenagem aos mortos pelas forças de segurança durante as protestos de janeiro. Ao mesmo tempo, surgem novas repressões em eco à revolução de 1979, conforme relatos de organizações de direitos humanos. O governo busca conter as manifestações com cerimônias controladas e apelos às famílias.
Os protestos de janeiro deixaram milhares de mortos segundo organizações de direitos humanos. Nesta semana, familiares realizam cerimônias de 40 dias, as chamadas Chehelom, em diferentes cidades, tentando manter viva a memória dos falecidos. Em várias ocasiões, as autoridades reagiram com força.
As forças de segurança voltaram a atuar em cemitérios e nublaram a organização de atos oficiais. Em cidades como Abadan, Mashhad e Hamedan houve confrontos entre militares e manifestantes durante rituais fúnebres. Vídeos de redes sociais mostram disparos e correria.
Abadan: tiros em cemitério
Testemunhas afirmam que a polícia abriu fogo em centenas de manifestantes no cemitério de Abadan, em Ilam. Imagens mostram pessoas dispersando, com cânticos contra o líder supremo. A organização Hengaw relata ao menos feridos e dezenas de detenções.
Perspectivas de 40 dias
Espera-se que mais cerimônias ocorram na quarta-feira, também no marco de 40 dias desde os momentos mais sangrentos de janeiro. Serviços de internet continuam limitados, dificultando o balanço preciso de such eventos pelo país.
O governo sustenta que a violência foi causada por terroristas e por forças externas. Autoridades acusam redes anti-governo de desestabilizar o país, repetindo narrativa já utilizada em episódios anteriores.
Movimentos de oposição e autoridades religiosas permanecem em tensão. Mesmo diante de medidas repressivas, muitos iranianos adotam rituais públicos, como chamamentos coletivos, que substituem parte das grandes manifestações históricas.
A população ainda aponta falhas do governo, como a corrupção, a desigualdade econômica e a repressão a jornalistas e ativistas. Organizações de direitos humanos destacam a gravidade das prisões e das restrições de comunicação.
Apesar do cenário tenso, ações de familiares e comunidades ressaltam a continuidade de um movimento social de protesto no país. A narrativa atual remete a episódios do passado, mantendo viva a memória dos protestos de janeiro.
Entre na conversa da comunidade