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Oferta de entrar na nova era de Trump é recebida com firmeza europeia

Em Munique, a Europa discute maior autonomia de defesa e soberania econômica, apontando divergências com os EUA sobre a Ucrânia

The US secretary of state Marco Rubio, left, meets with Germany’s chancellor, Friedrich Merz, in Munich. Few doubt Rubio’s assessment that ‘yesterday is over’. Photograph: Alex Brandon/AP
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  • Munich, na Baviera, foi o palco de debates sobre uma Europa mais forte e independente, diante de divergências sobre a Ucrânia e o papel dos Estados Unidos.
  • O republicano Marco Rubio alertou que a Europa pode seguir em declínio civilizacional, mas adotou tom firme inspirado em ideias de populismo de direita, ao menos na retórica.
  • A direção europeia pediu maior integração de defesa e autonomia, com dirigentes como Ursula von der Leyen e Keir Starmer defendendo maior participação europeia na segurança, inclusive pensando em cooperação nuclear entre França e Reino Unido.
  • A controvérsia sobre a Ucrânia e a posição de Donald Trump manteve o debate tenso, com críticas ao tratamento de Putin e ao envolvimento americano no conflito.
  • A Alemanha sinalizou que pode reduzir a presença dos Estados Unidos na Europa, enquanto Macron, Merz e outros destacaram a necessidade de capacidades próprias de defesa, tecnologia e tecnologia de IA, bem como de manter acordos globais comuns.

O debate sobre o papel da Europa na geopolítica global ganhou fôlego em Munique, após momentos de tensão entre Washington e as capitais europeias. A conferência ocorreu em clima chuvoso na Baviera, reunindo líderes, diplomatas e especialistas para discutir o futuro da OTAN, da defesa europeia e a relação com os EUA no governo de Donald Trump.

O tom geral foi de cautela e busca por autonomia. Líderes europeus destacaram a necessidade de reforçar capacidades de defesa próprias, sem romper com a parceria transatlântica. A discussão incluiu como reduzir a dependência de Washington e como responder a desafios como a crise na Ucrânia.

Marco Rubio, representante dos EUA, manteve discurso firme ao afirmar que a Europa precisa manter a sua trajetória, sob pena de enfrentar consequências. A reunião também contou com intervenções de diplomatas europeus, que defenderam maior participação europeia nas decisões de defesa e na gestão de crises.

Entre os participantes, destacaram-se o chanceler alemão Friedrich Merz, o presidente francês Emmanuel Macron e o líder britânico Keir Starmer. Merz sinalizou que a Europa pode reduzir a presença americana no continente e que, em algumas situações, a UE caminhará com escolhas independentes.

Macron ressaltou a necessidade de uma Europa com mais autonomia estratégica, incluindo capacidades de dissuasão e cooperação com França e Reino Unido para disponibilizar recursos militares de forma europeia. Starmer reforçou a integração em defesa na UE e indicou abertura para cooperação com parceiros europeus.

O debate incluiu ainda a posição de Zelensky, que ressaltou a importância da presença europeia na negociação de segurança. O governo polonês destacou que, apesar do papel americano na assistência militar, a Europa também precisa ter assento nas decisões sobre o apoio a Kiev.

A discussão girou, principalmente, em torno de como moldar uma defesa comum europeia diante de um cenário de possíveis mudanças na atuação dos EUA. A ideia é consolidar uma posição europeia mais autônoma, sem abandonar a cooperação com Washington.

Em meio a isso, líderes destacaram a importância de manter acordos climáticos e de saúde globais, reforçando a ideia de cooperação multilateral. A proposta é que a Europa assuma responsabilidades maiores na segurança convencional sem abrir mão de alianças estratégicas.

A agenda também contemplou o tema de tecnologia e IA, com chamadas para regras europeias mais firmes e proteção de liberdades públicas. Os dirigentes discutiram ainda como ampliar a cooperação nuclear entre França, Alemanha e Reino Unido para reduzir a dependência de garantias externas.

Ao final, os participantes indicaram passos concretos para avançar na cooperação e na autonomia europeias, sem indicar uma conclusão definitiva sobre o papel dos EUA. O debate segue com novas reuniões agendadas para alinhar estratégias entre os blocos.

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