- EUA e Ucrânia discutem meta de março para um acordo de paz com a Rússia, mas prazo parece improvável devido ao impasse sobre o território.
- O acordo envolveria referendum realizado pelos eleitores ucranianos, que ocorreria junto com as eleições nacionais.
- O time de negociação americano, liderado por Steve Witkoff e Jared Kushner, tem pressionado por voto rápido, mas a corrida eleitoral de novembro pode reduzir o foco.
- A segunda rodada de negociações, realizada em Abu Dabi, resultou na libertação de 314 prisioneiros de guerra e na promessa de retomar os debates em breve.
- As principais dificuldades permanecem sobre o destino da região de Donbas e a controlação da usina nuclear de Zaporizhzhia, com Kyiv buscando garantias de segurança.
A ambição dos EUA e da Ucrânia é chegar a um acordo de paz com a Rússia em março, com votação popular e eleições nacionais ao mesmo tempo. O objetivo é discutido por negociadores, mas depende de avanços sobre a questão territorial e de mudanças legais no país.
O grupo americano é chefiado pelo enviado especial Steve Witkoff e pelo filho do presidente Trump, Jared Kushner. Em reuniões recentes em Abu Dhabi e Miami, disseram aos interlocutores ucranianos que a votação deveria ocorrer o quanto antes, segundo três fontes.
O segundo ciclo de negociações, encerrado em Abu Dhabi, resultou na libertação de 314 prisioneiros de guerra e na promessa de retomar as conversas. O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy sinalizou que o próximo encontro trilateral pode acontecer nos EUA.
Possível calendário de voto
As discussões apontaram a possibilidade de que a eleição nacional e o referendo ocorram em maio. Contudo, duas fontes destacaram que o cronograma é considerado irrealista por parte das autoridades envolvidas.
A organização eleitoral da Ucrânia estima necessidade de cerca de seis meses para realizar uma votação sob o atual regime, que enfrenta estado de guerra. Mudanças legislativas seriam necessárias para liberar esse pleito durante a lei marcial.
Ucrânia defende que haja cessar-fogo durante a campanha, para preservar a integridade do referendo. O país também ressalta desconfianças quanto a promessas russas de alto cumprimento de acordos, citando histórico de violações.
Questões centrais e entraves
A principal dificuldade permanece a definição sobre o destino do Donbas, área que a Rússia busca controlar integralmente. Kyiv admite espaço para soluções criativas, como zonas desmilitarizadas, mas não aceita concessões territoriais amplas.
A posição russa envolve o controle total do Donbas, enquanto a Ucrânia mantém domínio sobre parte do território. A situação do complexo da usina de Zaporizhzhia, na área ocupada pela Rússia, também complica as negociações.
Uma delegação russa, com foco militar, é chefiada pelo chefe da inteligência militar, almirante Igor Kostyukov. O andamento dos contatos indica que, sem garantias de segurança, avanços significativos seguem improváveis.
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