- As negociações de paz entre Ucrânia, Rússia e Estados Unidos prosseguem a portas fechadas em Abu Dabi, com Rustem Umerov destacando que o trabalho foi “sustantivo e produtivo” e centrado em medidas concretas.
- Na fase atual, o foco é mais militar do que político, com o objetivo de desenhar uma estratégia sólida de saída do conflito, mantendo o formato de três blocos e grupos de trabalho que se reúnem separadamente.
- Mesmo com avanços, não há desescalada: na frente, houve ataques com dois mísseis Iskander-M e 183 drones por parte da Rússia, e a Ucrânia afirma ter derrubado 95 drones lançados por Moscou.
- O principal entrave continua sendo a questão territorial: a Rússia quer ceder uma parte significativa do Donbass, o que é considerado inaceitável pela Ucrânia; Zelenski mantém a via diplomática, sem capitulações.
- Sobre garantias de segurança, Washington discute um possível plano com participação internacional e zona desmilitarizada em Donetsk; a Rússia rejeita a presença de tropas estrangeiras.
Os negociadores para a paz entre Ucrânia e Rússia voltaram a se reunir em Abu Dabi, com apoio dos Estados Unidos, após uma primeira jornada considerada produtiva. O objetivo atual é avançar em questões práticas, priorizando medidas militares e de disengagement, em ambiente de reuniões a portas fechadas.
As negociações são conduzidas em trípica com delegações divididas em grupos de trabalho. O chefe da delegação ucraniana, Rustem Umerov, disse que o saldo do dia foi substantivo e produtivo, voltado a soluções concretas. O formato permanece o mesmo da sessão inicial.
Avanço, formato e participações
As conversas, que se estendem a três bandas, mantêm a divisão em grupos de trabalho e encontros coletivos. A divulgação de conteúdos específicos continua restrita, sinalizando que há cautela sobre vazamentos e resultados definitivos.
Situação no terreno e posicionamentos
Entre os dias da reunião, o conflito permaneceu ativo, com ataques de maior alcance. Forças ucranianas relatam ataques aéreos e uso de drones, enquanto a Rússia afirma ter derrubado drones adversários. A escalada permanece como peso nas soluções a serem discutidas.
Ponto de atrito central: Donbás e garantias de segurança
A persistente divergência sobre Donbás permanece o principal entrave. A Rússia pretende manter parte do território, enquanto a Ucrânia classifica como inaceitável qualquer cedência. Um acordo de 20 pontos, trabalhado entre Washington e Kiev, prevê congelamento de parte do frente em zonas como Zaporíia e Kherson, com retirada russa de áreas ocupadas em Sumi, Jabárkov e Dnipropetrovsk.
Papel internacional e desmilitarização
Os pontos mais sensíveis envolvem a gestão da central nuclear de Zaporíia e a necessidade de garantias de segurança. Kiev busca um regime de proteção que envolva forças internacionais, com participação de uma coalizão de voluntários e, por fim, forças dos EUA. Washington condiciona a assinatura a uma solução territorial clara e propõe uma zona desmilitarizada em Donetsk.
Reações e objeções
A Rússia rejeita a presença de tropas estrangeiras sob a forma de forças de paz em Donetsk. As autoridades russas destacaram que a intervenção de forças internacionais seria considerada como objetivo militar legítimo, mantendo firme a posição de não aceitação de uma força externa.
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