- Os Emirados Árabes Unidos (EAU) apresentaram planos para construir um complexo habitacional temporário próximo a Rafah, no sul de Gaza sob controle militar israelense, para abrigar milhares de palestinos deslocados.
- O mapa de planejamento indica o local próximo à linha amarela, demarcação acordada entre áreas controladas por Israel e por Hamas.
- Rafah foi demolida e depopulada por forças israelenses durante o conflito de dois anos com o Hamas; a reconstrução de Gaza está ligada ao plano norte-americano.
- A viabilidade política é duvidosa, já que muitos palestinos podem rejeitar viver em uma área sob controle israelense, enquanto a maior parte da população vive em acampamentos em áreas controladas pelo Hamas.
- A expectativa de apoio financeiro é baixa; há dúvidas sobre adesão significativa e sobre se propostas poderiam levar a uma divisão permanente de Gaza, segundo diplomatas.
O UAE planeja construir um complexo habitacional temporário para milhares de palestinos deslocados em uma parte do sul de Gaza controlada por Israel, conforme mapa visto pela Reuters e fontes familiarizadas com o tema. A ideia foi apresentada pelas autoridades dos Emirados Árabes Unidos em meio a discussões sobre reconstrução após dois anos de conflito com o Hamas.
Rafah, cidade próxima à fronteira com o Egito, foi degradada pela força israelense durante o conflito. Hoje, grande parte de seu território está destruída e o deslocamento populacional é extremo, com a maioria dos moradores vivendo em acampamentos sob gestão do Hamas.
O mapa de planejamento indica que o que seria denominado “Complexo Habitacional Temporário Emirati” ficaria próximo à linha amarela acordada na trégua de outubro, que delimita áreas sob controle israelense e de Hamas. Em resposta, autoridades emiradenses não confirmaram nem negaram o projeto.
Contexto e viabilidade
Doados com relutância a financiar o plano de Gaza, os países envolvidos temem que divergências sobre desarmamento do Hamas retardem a ajuda. Analistas ressaltam dúvidas sobre a viabilidade política de alojar civis em áreas controladas por Israel, enquanto a maior parte da população permanece em zonas de Hamas.
O conceito lembraria a iniciativa norte-americana de criar comunidades temporárias em áreas ainda sob controle israelense, com o objetivo de pressionar pela desmilitarização de Hamas e estimular a migração de civis para zonas de menor conflito. Especialistas destacam que o alcance precisa ser amplo para gerar efeito.
Segundo diplomatas, o Exército israelense já abriu grande faixa de terreno entre o litoral e Rafah para projetos de habitação temporária. A proposta Emirati difere ao indicar um local sem residências prévias, segundo as fontes.
Implicações e panorama
O governo dos Emirados, que manteve relação diplomática com Israel desde 2020, vê o Hamas como ameaça à estabilidade regional. Diplomatas destacam ainda a complexidade de se deslocar grandes volumes de habitantes para áreas sob controle estrangeiro e questionam se o plano não criaria uma divisão permanente de Gaza.
O objetivo subjacente, conforme fontes, seria criar condições para avanço político e humanitário em meio ao debate sobre a reconstrução com financiamento internacional. Autoridades Emiratis não confirmaram detalhes operacionais do projeto.
A área sob controle Israelense representa cerca de metade de Gaza, enquanto o restante fica sob domínio do Hamas. Estima-se que cerca de 20 mil palestinos residam em zonas sob controle militar, segundo informações de diplomatas e trabalhadores humanitários.
Fonte: Reuters
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