- O Tratado New START (controle de armas estratégicas entre EUA e Rússia) vence em cinco de fevereiro, colocando em risco uma corrida nuclear sem limites.
- Sem o acordo, as duas maiores arsenais do mundo ficariam sem restrições, algo que não ocorria desde a era Cold War.
- O presidente russo, Vladimir Putin, propôs manter os limites atuais por um ano para ganhar tempo; o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ainda não respondeu formalmente.
- Trump já afirmou que, se expirar, expira, sugerindo que o tratado seja substituído por outro mais amplo; há controvérsia sobre abrir espaço para uma corrida nuclear contra a China.
- A China afirma que não é razoável participar de negociações de desarmamento com dois players cuja a arsenal é superior, enquanto a depender de avaliações, o desequilíbrio pode aumentar a insegurança estratégica.
O acordo New START pode expirar em menos de uma semana, abrindo espaço para uma corrida armamentista nuclear entre Estados Unidos e Rússia. O tratado atual restringe o número de ogivas estratégicas e sistemas de entrega, e vence no dia em que se completam 16 anos desde a assinatura.
Caso não haja acordo, não haverá limites formais para arsenais de longo alcance pela primeira vez desde a era da Guerra Fria. Moscou já propôs manter os limites vigentes por mais um ano, para ganhar tempo de negociação, mas Washington não respondeu formalmente até o momento.
O governo russo informou que a proposta busca evitar a interrupção abrupta das restrições, enquanto autoridades americanas estudam a viabilidade de manter ou substituir o acordo. A posição de Washington ficou associada a pressões para conter um possível aumento russo e também a considerar a resposta a uma eventual ascensão militar da China.
O que está em jogo
O New START estabelece, entre outros pontos, limites para ogivas estratégicas implantadas e para sistemas de lançamento em terra, mar e ar. A incerteza sobre o futuro do tratado levanta dúvidas sobre como as duas potências gerenciariam informações e mecanismos de verificação sem o acordo vigente.
Analistas ressaltam que acordos de controle de armas fornecem canais críticos para entender as intenções da outra parte e reduzir riscos de erro de cálculo. Sem um tratado, cada lado poderia agir com base em suposições pessimistas sobre as capacidades do adversário.
O cenário atual também envolve a evolução de sistemas nucleares russos e o desenvolvimento de novas plataformas, que não estão cobertas pelo regime do New START. Questiona-se como isso impactaria a estabilidade estratégica e a confiança entre as nações.
Ponto de vista americano e russo
No debate doméstico dos Estados Unidos, as posições divergem sobre aceitar a proposta de manter os limites por mais um ano. Defensores argumentam que a prorrogação reduziria o risco de corrida armamentista e de interpretações equivocadas durante crises.
Por outro lado, críticos destacam os custos elevados da modernização nuclear prevista no país, além de atrasos e estouros de orçamento. A central de avaliação orçamentária aponta um gasto próximo de um trilhão de dólares entre 2025 e 2034 para atualizar, manter e operar as forças nucleares americanas.
Oficiais e ex-funcionários enfatizam que a resposta apropriada deve considerar ameaças simultâneas de Rússia e China. Em Washington, a avaliação de alguns especialistas é de que aumentos graduais nos arsenais poderiam ocorrer, caso haja ruptura do acordo.
Perspectivas internacionais
Do lado russo, autoridades destacam que a segurança nacional pode exigir respostas proporcionais frente a mudanças no equilíbrio estratégico. Em declarações públicas, representantes de Moscou indicam disposição para enfrentar evoluções na defesa e na dissuasão.
A China, por sua vez, expõe que a dissuasão nuclear é substancialmente menor do que a das potências ocidentais e vê com ceticismo a ideia de que possa se engajar plenamente em negociações com dois Estados detentores de arsenais maiores. Analistas apontam que o crescimento chinês completa o retrato de um quadro estratégico cada vez mais complexo.
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