- Mark Carney, em Davos, chamou a ordem internacional baseada em regras de “ficção agradável” e sugeriu que potências médias devem agir de forma independente.
- O que mudou não é a potência dos EUA, mas quem ele controla: aliados vulneráveis a pressões econômicas, comerciais e políticas americanas.
- Aliados da Europa e da região euro-atlântica estão conectados à economia dos EUA, compram equipamentos americanos e contam com tropas americanas para defesa, tornando-se alvos de coerção.
- Há sinais de busca por diversificação: Canadá negocia com a China; França e Reino Unido buscam maiores laços comerciais com a China; Índia e União Europeia avançam em acordo de livre comércio.
- Se o curso seguir, o mundo tende a se tornar mais multipolar, com potências médias ganhando autonomia; porém, há risco de falhas e dependência contínua caso não se fortalecam contrapesos. Carney enfatiza que, sem participação ativa, os “middle powers” ficam vulneráveis.
Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá, afirmou em Davos, Suíça, no Fórum Econômico Mundial, que a ordem internacional baseada em regras é uma ficção conveniente para os países mais fortes. A declaração ocorreu durante a sessão de alto nível da reunião na semana passada.
Ele sustenta que as grandes potências já utilizam mecanismos econômicos como armas, tarifas como pressão e cadeias de suprimento como vulnerabilidade explorável. A crítica aponta para a coercitividade recente vista entre Estados aliados e o bloco ocidental.
Carney também argumenta que a ruptura global não é entre liberalismo universal e seus pilares, mas entre os EUA e seus aliados. O alerta é para que potências médias atuem juntas para não ficarem à margem ou serem alvo de pressões.
Contexto e impactos
A liderança de Carney é lembrada por tensões anteriores com Washington. O Canadá já enfrentou tarifas do governo americano e críticas públicas sobre relações com alianças europeias. Documentos e relatos indicam um ciclo de atritos que persiste.
Especialistas observam que, embora haja divergências entre EUA e aliados, não houve grande reconfiguração de presença militar na Europa, além de rumores sobre retirada na Romênia. A avaliação é de que o poder de dissuasão permanece estável.
Desdobramentos regionais
Países europeus e outras democracias médias discutem caminhos para reduzir dependência do EUA. A aproximação de acordos com a China e a Índia, bem como acordos comerciais com o bloco europeu, são sinais de busca por autonomia econômica.
No entanto, as alianças ocidentais enfrentam resistência interna para romper compromissos de defesa. O equilíbrio entre custos políticos e estratégicos de recalibrar relações com Washington continua em debate.
Perspectivas
Se os aliados seguirem investindo em capacidades próprias, o mundo pode migrar de um sistema predominantemente unipolar para um cenário mais multipolar. O resultado pode ser uma maior flexibilidade na política externa, sem necessariamente representar ameaça aos EUA.
Por ora, Carney enfatiza que os parceiros precisam agir juntos para não ficarem vulneráveis. A mensagem é evitar a exclusão dos planos de governança global e buscar opções que fortaleçam a autonomia regional.
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