- O Brasil se absteve de votar a resolução do Conselho de Direitos Humanos da ONU que condena o Irã pela repressão aos protestos e determina investigação do massacre.
- O Brasil foi o único país da América Latina a não aprovarem o texto, ao lado de Cuba, configurando apoio ao regime iraniano segundo a matéria.
- Durante a sessão em Genebra, o embaixador brasileiro reconheceu publicamente a violência contra manifestantes, mas justificou a abstenção citando soberania e autodeterminação.
- O Centro Internacional de Direitos Humanos estima até quarenta e três mil mortos em cerca de vinte dias, com prisões de médicos e equipes de socorro durante os protestos.
- A reportagem aponta uma linha de aproximação entre o governo brasileiro e o Irã, incluindo participação do Brasil na entrada do Irã no Brics em 2024 e visitas a navios iranianos no Rio de Janeiro.
O Brasil absteve-se de votar a resolução do Conselho de Direitos Humanos da ONU que condenou o Irã pela repressão aos protestos. A votação ocorreu em Genebra, na Suíça, e também pediu a investigação do massacre no país. O governo citou soberania e autodeterminação como justificativas.
A decisão foi tomada pelo Itamaraty, com participação de representantes brasileiros na sessão. Apesar de condenar publicamente, pela primeira vez, o uso de força letal contra manifestantes, o Brasil manteve a abstenção na votação, o que gerou críticas de observadores internacionais.
A posição brasileira gerou controvérsia, pois outros países latino-americanos votaram a favor. Governo de Cuba também votou contra; México, Colômbia e Chile apoiaram a resolução. A abstenção é vista como sinal de alinhamento com eixos divergentes da política ocidental.
Contexto internacional
Durante a sessão, o Brasil reiterou a necessidade de respeitar a soberania iraniana e o direito à autodeterminação. Em debates anteriores, especialistas destacaram a gravidade do número de mortos e a repressão a médicos e voluntários que atendiam feridos.
Analistas apontam que a abstenção se insere em uma linha de política externa que aproxima o Brasil de grupos e regimes considerados aliados no chamado Sul Global. O tema é utilizado para discutir multilateralismo e autonomia frente aos Estados Unidos.
Histórico de relação Brasil-Irã
Desde 2024, o Irã integrou o Brics com apoio brasileiro, em meio a tensões com o Ocidente. Houve also recebimento de navios de guerra iranianos atracados no Rio de Janeiro, gerando protestos norte-americanos. O governo atribui boa-fé a contatos diplomáticos e disse buscar diálogo regional.
Exportações brasileiras para o Irã permaneceram expressivas, aproximando-se de US$ 3 bilhões em 2025. Críticos argumentam que esse volume comercial pode influenciar decisões de política externa diante de sanções internacionais.
Avaliação e críticas
Especialistas afirmam que a abstenção expõe falhas na defesa de direitos humanos, segundo relatos de organizações não governamentais. A discussão aborda se a relação com regimes autoritários deve prevalecer diante de abusos reconhecidos internacionalmente.
O debate sobre neutralidade brasileira no Conselho de Direitos Humanos continua, com impactos potenciais na credibilidade institucional do país. Observadores ressaltam a necessidade de alinhamento entre princípios democráticos e interesses estratégicos.
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