- Cornelia Stokes iniciou, no mês passado, como primeira assistente curatorial da arte da diáspora africana no SFMoMA e no Museum of the African Diaspora, em regime de dupla função.
- O objetivo do cargo é conectar as duas instituições por meio de exposições conjuntas e programas comunitários, além de diversificar a coleção permanente do SFMoMA.
- Na Frieze Los Angeles deste ano, ela aponta obras favoritas, incluindo Narsiso Martinez, Ebony G. Patterson, Hugh Hayden, Kenturah Davis e Africanus Okokon.
- Também destaca trabalhos de Robert H. Colescott e Sam Gilliam presentes na mostra, com interesse na expansão do acervo da diáspora africana do SFMoMA.
- A curadora comenta que algumas obras podem chegar ao SFMoMA no futuro, fortalecendo o diálogo entre as instituições.
Cornelia Stokes assumiu em participação dupla um papel inédito, como primeira(o) curadora adjunta da arte da diáspora africana no SFMoMA e no Museum of the African Diaspora. O mandato é de três anos, com meta de criar exposições conjuntas, programação comunitária e ampliar a coleção permanente do SFMoMA nesse eixo.
Em Frieze Los Angeles deste ano, Stokes seleciona obras que reside no recorte da diáspora africana. Entre elas, destaca Narsiso Martinez e a série Asparagus Picker (2025) da Charlie James Gallery, que usa caixas de fruta reaproveitadas para contar trajetórias de migrantes. Martinez recebeu o Frieze Impact Prize em 2023.
A obra de Ebony G. Patterson, apresentada pela Monique Meloche, também ocupa espaço na curadoria de Stokes. A artista jamaicana cria ambientes imersivos que abordam violência contra corpos negros e pardos, utilizando glitter e brilho para atrair o público antes de revelar temáticas profundas.
Hugh Hayden, com The Blughs (2026), da Lisson Gallery, é outra presença marcada. O escultor texano transforma objetos cotidianos com almofadas de alumínio, combinando máscaras africanas e imagens de rosto próprio para discutir identidade e cultura sulista nos EUA.
Kenturah Davis, com planar vessel XXXII(gia) (2026), da Matthew Brown, aparece como exemplo de desenho socialmente carregado. A artista altadenense retrata memórias pessoais, imersas em referências literárias e musicais, conectando experiência individual a contextos amplos.
Africanus Okokon figura com Time of defenseless waiting (2026), da Ochi. Stokes elogia a prática híbrida do artista, que mescla técnicas e mídias para criar obras que evocam processos de produção visual, como se fosse um fotografar em desenvolvimento.
Entre os destaques históricos, Robert H. Colescott aparece com Untitled (1968) pela Gladstone. A curadora ressalta a força das cores e o peso da obra na tradição da diáspora, ao lado de uma constante busca por ampliar a coleção de arte africana e afrodescendente no SFMoMA.
Sam Gilliam, Cut (1969), da Michael Rosenfeld Gallery, também integra a visão de Stokes. A curadora cita a importância de figuras como Romare Bearden, Augusta Savage e Alma Thomas para o entendimento da arte da diáspora, ressaltando a relevância de museus como o Studio Museum in Harlem.
Além de destacar nomes consagrados, Stokes reforça o objetivo de diversificar a coleção permanente do SFMoMA, alinhando a programação da instituição a práticas contemporâneas da diáspora africana presentes na feira. As escolhas refletem a curadoria que buscou articulação entre museu, feira e comunidade.
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