- As eleições gerais no Nepal estão marcadas para 5 de março; os partidos prometem mega obras de infraestrutura, como maiores hidrelétricas, mais estradas e linhas de transmissão.
- Especialistas dizem que, apesar da vulnerabilidade climática, os manifestos dão espaço limitado a questões ambientais e de clima, priorizando crescimento econômico.
- O Nepali Congress planeja um período de recuperação econômica de cinco anos, com meta de economia de 115 trilhões de rúpias e renda per capita de 364 mil rúpias, enfatizando infraestrutura, governança e empregos.
- Partidos como o CPN-UML e o Rastriya Swatantra Party também destacam crescimento, infraestrutura e empregos, tratando questões climáticas mais como parte do desenvolvimento sustentável.
- Analistas apontam dificuldades de implementação: orçamento ambiental baixo, capacidade institucional limitada e falhas de coordenação entre setores federal, provincial e local, com danos a projetos causados por eventos climáticos.
Bancos de investimentos, estradas ampliadas e linhas de transmissão: esse é o tom das promessas das principais siglas no Nepal para as eleições gerais de 5 de março. As capas dos manifestos destacam grandes obras e crescimento econômico como prioridade.
Especialistas dizem que, apesar de riscos climáticos crescentes, as pautas ambientais ocupam espaço reduzido nos documentos. O foco fica em infraestrutura, indústria, hospitais e educação, com mudanças climáticas tratadas como assunto secundário.
O Nepal é amplamente vulnerável às mudanças climáticas, ocupando posição elevada no Climate Risk Index. O aumento da temperatura altera monções, reduz reservas hídricas e eleva riscos de deslizamentos e inundações.
Projetos de infraestrutura também sofreram impactos de eventos climáticos recentes. Em 2021, o projeto Melamchi enfrentou danos por enchentes causadas pela chuva forte, e várias usinas em construção registraram danos por chuvas intensas em 2025.
Os manifestos das grandes siglas concentram-se em crescimento econômico e geração de empregos, com pouca ênfase em adaptação climática. A cobertura de temas como finanças climáticas e tecnologia para mitigação aparece de forma discreta.
O Nepali Congress, tradição liberal na política, apresenta metas de recuperação econômica para cinco anos, com projeção de crescimento econômico e renda per capita mais altas, além de infraestrutura, governança e proteção social.
Na prática, o partido destaca a expansão de estradas, o projeto ferroviário East-West e redes interprovinciais, assim como grandes projetos hidrelétricos. Questões ambientais aparecem de forma secundária.
A CPN-UML reforça a promessa de crescimento entre 7% e 9%, com foco em agricultura, geração de energia, indústria, TI e infraestrutura física, em linha com a prioridade por obras públicas.
A Rastriya Swatantra Party traz um compromisso de alto nível com infraestrutura, incluindo estradas, ferrovias, energia e construção, com referência explícita a acesso a fundos climáticos internacionais.
Especialistas ressaltam que as promessas de longo prazo tendem a carecer de planos de implementação detalhados. A falta de orçamento ambiental está entre os principais obstáculos à execução.
Entre as dificuldades, pesquisadores apontam orçamento reduzido para o meio ambiente, capacidade institucional fraca, subutilização de recursos climáticos internacionais e falhas de coordenação entre governo federal, distrital e local.
Com as eleições se aproximando, as propostas de clima aparecem de forma menos proeminente que as de crescimento e infraestrutura, segundo analistas, o que pode impactar a prioridade dada a medidas de adaptação.
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