- A Eslováquia teve exportações de produtos de defesa impulsionadas em 2.200% nos últimos quatro anos, atingindo €2,4 bilhões, com foco na produção de munições de grande calibre pela ZVS Holding, ligada ao Czechoslovak Group (CSG).
- A ZVS emprega atualmente cerca de 1.400 funcionários em dois locais, com planos de chegar a 2.000 após a construção de uma terceira unidade em Strazske, visando fabricar mais de um milhão de projéteis por ano.
- O CSG registrou o maior aumento de receita entre as 100 maiores empresas de defesa em 2024, com expectativa de chegar a até €7,6 bilhões em 2026, sustentado pela demanda geopolítica por munições e sistemas de artilharia.
- Dubnica nad Vahom, cidade de 22 mil habitantes, ilustra a transição: a antiga indústria de armas ressurgiu com investimentos de cerca de € 100 milhões nos últimos quatro anos, aumentando a produção para atender a parceiros na Eslováquia, Polônia e outros membros da Otan.
- O governo eslovaco apoia o setor, e a relação entre Michal Strnad, bilionário do setor, e o ministro da Defesa, Robert Kalinak, gerou controvérsias políticas, com contratos da ZVS até 2029 e debates sobre possíveis conflitos de interesse dentro do espectro político da UE.
A Eslováquia está acelerando sua indústria de defesa, impulsionada por uma parceria entre o bilionário tcheco Michal Strnad e o ministro da Defesa, Robert Kalinak. A produção de munições de grande calibre ganhou velocidade após mudanças estratégicas na empresa ZVS Holding, que integra o Czechoslovak Group (CSG). Segundo dados de 2024, as exportações do setor cresceram 2.200% nos quatro anos anteriores.
A fábrica de Dubnica nad Vahom, no oeste do país, reflete essa transformação. Parte das instalações foi adaptada para novos usos, mantendo operações de rifles de pressão, enquanto ampliava linhas de produção de munições. A empresa empregava 7.000 pessoas no auge e hoje tem dezenas de milhares de mudanças ativas ao longo de diferentes unidades.
O anúncio de expansão coincide com o foco da Otan em reforçar estoques de munições. O CSG, controlador da ZVS, registrou o maior ganho de receita entre as 100 maiores empresas de defesa em 2024, segundo o Sipri. A projeção é de até 7,6 bilhões de euros em vendas em 2026, ante 4,2 bilhões em 2024.
A estratégia envolve ampliar a capacidade com sistemas modulares de carga de artilharia para obuseiros de 155 mm, utilizado por países da Otan. Strnad afirmou que o governo tem apoiado o projeto, e Kalinak mencionou o papel da indústria como pilar fiscal do país.
O grupo quer consolidar a produção de munições e veículos blindados, aumentando a capacidade total para mais de 1 milhão de projéteis por ano. A ZVS abriu capital na bolsa de Amsterdã neste ano, numa operação histórica para uma empresa de defesa.
Nos últimos quatro anos, a ZVS ampliou investimentos para reativar instalações em Dubnica nad Vahom e em Strazske, na Eslováquia oriental. A meta é empregar cerca de 2.000 trabalhadores, com planos de novos contratos até 2029 com clientes da Otan.
A economia local vive um contraste: a cidade, que chegou a abrigar até 19 mil empregos na era soviética, hoje vê recuperação gradual. A direção da ZVS justifica o crescimento pela demanda global por munições, principalmente entre os aliados da Otan.
Kalinak ressaltou que a indústria de defesa pode representar até 3% do PIB, ainda que o setor automotivo permaneça uma parcela relevante. O governo também sinalizou apoio a projetos que fortalecem o abastecimento nacional de armamentos.
A relação entre Strnad e Kalinak, alvo de controvérsias políticas, é defendida pelos envolvidos como necessária para manter a indústria em funcionamento. Fontes consultadas apontam que a proximidade não envolveu conflito de interesses, segundo representantes das partes.
Em Dubnica nad Vahom, a transformação urbanística acompanha a evolução industrial. Novos investimentos vão além da fábrica, incluindo obras de infraestrutura e incentivo a serviços locais, com impactos visíveis na vida cotidiana da cidade.
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