- Nos últimos anos, o número de Twa (Batwa) migrando de áreas florestais para cidades no norte de Kivu tem aumentado, segundo censos consultados pela Mongabay.
- O deslocamento começou após expulsões do Virunga National Park na virada dos anos 1990, seguidas por violência de militantes entre 2014 e 2015, levando a novas mudanças de localidade.
- Em 2015, eram 339 ou famílias Twa em áreas urbanas, totalizando cerca de 1.794 pessoas em sete acampamentos, conforme levantamento da PAP.
- Atualmente, são mais de 1.282 famílias em 13 locais, com aproximadamente 6.784 Twa, revelando um aumento de cerca de cinco mil pessoas sem dependência direta da floresta.
- Deslocamentos, conflitos de terra e expansão de agricultura e manejo madeireiro dificultam o acesso a recursos tradicionais; há esforços limitados de políticas públicas e iniciativas de visibilidade cultural e aprendizagem de medicina tradicional.
Na metade da última década, cidades no norte de North Kivu, no leste da República Democrática do Congo, passaram a receber mais famílias Batwa. Tradicionalmente caçadores e reúne da floresta do Congo, eles migraram para áreas urbanas em busca de sobrevivência.
O deslocamento envolve milhares de pessoas. Em 2015, o PAP identificou 339 domicílios Twa em centros urbanos e 1.794 pessoas em sete acampamentos próximos a Beni. Hoje, o registro oficial aponta cerca de 1.282 domicílios em 13 locais, com aproximadamente 6.784 Twa.
O que levou a essa mudança varia. Expulsões de áreas protegidas, insegurança crescente, conflitos de terra com comunidades Bantu e dificuldade de acesso a recursos florestais aparecem entre as causas. A migração tornou-se, para muitos, a hipótese de sobrevivência.
Deslocamentos e terras
Reginald Masinda, da Preppyg, destaca que há deslocamento para fugir de conflitos de terra com Bantu, especialmente no Lubero. Expansão agrícola e atividades de logging, em sua maioria feitas por Bantu, também pressionam as terras tradicionais dos Twa.
O papel das autoridades locais e da própria mobilidade econômica é mencionado como fator. Em alguns casos, chaves locais vendem terras de povos indígenas para outros grupos, piorando a situação de acesso à terra para os Twa.
Viver na cidade
Com a falta de florestas, muitos Twa dependem de ajuda de organizações humanitárias e de empregos informais. Alguns enfrentam acusações de furto e atritos com vizinhos, o que aumenta a tensão social nas áreas urbanas.
Conservação de saberes
Pesquisadores e comunicadores indicam que a ruptura com a floresta prejudica o conhecimento tradicional. Rituais e práticas ligadas ao manejo do ambiente sofrem com a distância do seu habitat ancestral.
Há quem procure manter conhecimentos tradicionais, oferecendo remédios herbários à população urbana. Figuras twa, como Dr. Linga, atuam em centros urbanos, em iniciativas informais ou formais, para subsistência.
Esperança de retorno
Apesar da ausência de políticas de apoio a povos indígenas em áreas urbanas na RDC, há movimentos para demarcar florestas próximas a Virunga e outras áreas para facilitar o retorno ou a proteção de territórios.
No Lubero, a Preppyg trabalha em um projeto de segurança de florestas comunitárias para reduzir conflitos e permitir que comunidades Twa recuperem terras e participem da conservação.
Fontes e dados
As informações sobre os deslocamentos e o quadro atual foram obtidas com lideranças Twa, organizações de direitos indígenas e dados do governo local de Beni e Oicha, compilados pela imprensa local.
Entre na conversa da comunidade