- O uso de tornozeleiras pelo Programa Alternatives to Detention (ATD) dobrou entre 2024 e 2025, após um memorando interno da ICE em junho de 2025.
- O número total de pessoas sob monitoramento eletrónico passou de cerca de 24 mil para aproximadamente 42 mil, segundo relatório da ICE de fevereiro de 2026.
- A adoção não foi uniforme: a área de Washington, DC, registra a maior quantidade de pessoas obrigadas a usar as tornozeleiras.
- Críticos afirmam que as tornozeleiras trazem desconforto físico e psicológico, prejudicam empregos e podem incentivar a auto-deportação.
- A ICE diz que as decisões são feitas caso a caso, com base em histórico criminal, cumprimento de obrigações e outros fatores, mas há preocupação com falta de transparência.
O aumento do uso de tornozeleiras pela ICE trouxe impactos diretos a imigrantes em processo de detenção alternativa. Nos últimos meses, o programa Alternatives to Detention (ATD) expandiu o monitoramento eletrônico para atender casos no país, segundo informações obtidas pela imprensa.
Uma moradora que busca asilo, descrita pela advogada como mãe solo que fugiu de violência doméstica, recebeu a ordem de usar o dispositivo na sua última audiência, em outubro. Ela vinha cumprindo regularmente as etapas do processo de asilo há anos, sem incidentes.
De acordo com a advogada Deepa Bijpuria, a mudança repentina levou a perda de pelo menos um emprego e gerou preocupação sobre o objetivo real da supervisão. A cliente pediu anonimato devido à situação vulnerável.
O ATD, criado em 2004, inclui ainda aplicativos móveis e checagens por telefone. Um memorando interno de junho de 2025 determinou que oficiais coloquem tornozeleiras em pessoas cadastradas no programa, o que acelerou a adoção do dispositivo.
Dados de fevereiro do relatório fiscal de 2026 apontam que o total de pessoas no ATD aumentou de cerca de 24 mil para aproximadamente 42 mil. A variação regional é evidente, com a área de Washington DC registrando o maior uso de tornozeleiras.
O porta-voz da ICE afirmou que o ATD usa determinações individualizadas para ajustar a supervisão com base em histórico criminal, histórico de cumprimento e outros fatores relevantes. A transparência sobre as decisões permanece contestada por entidades médicas e jurídicas.
Advogados e especialistas destacam que a variação regional e a falta de divulgação de informações geram dúvidas sobre os objetivos do monitoramento. Relatos apontam que as tornozeleiras podem dificultar a vida de imigrantes, incluindo a busca por emprego.
Estudos jurídicos indicam que o uso das tornozeleiras nem sempre melhora a adesão aos procedimentos legais e, em alguns casos, pode ter efeito contraproducente. A falta de clareza sobre as motivações alimenta críticas sobre a política de ATD.
Especialistas ressaltam ainda que as condições de supervisão impõem restrições de horário, visitas domiciliares e limitações de deslocamento, afetando a qualidade de vida dos indivíduos. O impacto psicológico é mencionado com frequência.
Finanças, saúde e bem-estar também são citados como consequências negativas. Em meio a críticas, há orientações para advogados solicitarem a remoção ou redução da supervisão por meio de documentação médica que demonstre danos.
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