- Juanita Avila, moradora permanente de 47 anos, foi detida pela ICE em Cottage Grove, Oregon, no dia cinco de novembro, com o green card no bolso.
- Ela foi puxada para fora do veículo, de frente para a filha, Emely Agustin, que filmou o momento; a detenção ocorreu sem mandado ou justificativa clara, segundo a declaração de Avila.
- A prisão de Juanita integrou uma ação coletiva que resultou, recentemente, em uma liminar federal que bloqueia táticas de “prisão primeiro, justificar depois” da ICE em Oregon.
- O juiz Mustafa Kasubhai afirmou que a conduta da ICE foi brutal e violou a lei federal e direitos constitucionais, estabelecendo que detenções sem mandado precisam de narrativa individual de provável causa.
- A ação revelou detalhes sobre o uso de métodos como a chamada operação Black Rose e uma ferramenta chamada Elite para identificar alvos, com impactos na comunidade e na saúde mental de familiares de imigrantes.
Juanita Avila, proprietária de uma loja latina em Cottage Grove, Oregon, foi abordada por agentes do ICE em 5 de novembro, enquanto a polícia de imigração a prendia sem mandado. Ela estava com o green card no bolso; a detenção ocorreu na rua após atuação de agentes encapuzados. A família a acompanhava em vídeo.
A filha de 19 anos, Emely Agustin, reconheceu a mãe durante a abordagem e acompanhou a cena. Emely relatou que a mãe ficou imóvel, chorando, e que a família temeu pela integridade de Juanita. A loja fica em um antigo cofre de banco na Main Street, perto de casa da comunidade.
Juanita nasceu em Guatemala e imigrrou para os EUA na adolescência. Ela chegou a trabalhar com tradução para famílias locais e ajudou vizinhos a interpretar documentos. Em Cottage Grove tornou-se referência na comunidade, oferecendo apoio e serviços migratórios.
Processo judicial e alcance da ação
Em janeiro, a prisão de Juanita entrou para uma ação coletiva movida pela Innovation Law Lab. Alegações apontam que o ICE detinha pessoas sem mandado ou justificativa individual, violando direitos constitucionais. O caso envolve o programa conhecido como Operação Black Rose.
Relatos de testemunhas indicam que equipes com várias vias de atuação eram direcionadas por um aplicativo do DHS, o Elite, para identificar áreas com possíveis alvos. A prática seria uma busca amplificada por razões de aparência e localização.
Victor Cruz Gamez, uma das partes envolvidas, vive há 25 anos nos EUA e foi preso em outubro após ser confundido com outra pessoa. Ele relata ter ficado detido por semanas, mesmo possuindo permissão de trabalho e proteção contra deportação.
Decisão judicial e efeito prático
No dia 4 de fevereiro, o juiz Mustafa Kasubahi concedeu liminar que restringe prisões sem mandado em Oregon. A decisão exige narrativa individual de provável causa antes de qualquer detenção. O juiz classificou a prisão de Juanita como sem justificativa.
A liminar representa uma proteção para imigrantes que atuam na região, elevando o nível de segurança jurídica durante operações de ICE. A decisão também reforça limites a detenções arbitrárias, segundo os advogados da ação.
Repercussões na comunidade
Emely afirmou sentir alívio pela decisão, embora questione se as ordens serão cumpridas. Ela descreveu impactos na vida de familiares, com crianças evitando escolas e pais evitando deslocamentos. Juanita, por sua vez, retomou atividades na loja e tem ajudado outras famílias afetadas.
A família de Juanita continua a receber apoio da comunidade local, com visitantes deixando mensagens e suprimentos na loja. A advogada da Innovation Law Lab destacou que a decisão amplia proteção a pessoas vulneráveis diante de operações de imigração.
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