- O Pasquim São Paulo circulou por 56 semanas, entre 3 de julho de 1986 e 6 de agosto de 1987, como versão paulista do original carioca.
- O semanário reuniu nomes de peso da imprensa, política e cultura, incluindo Alberto Dines, Augusto Nunes, Fernando Morais, Mino Carta, Angeli, Laerte, Jaguar, Aldir Blanc e Roger do Ultraje a Rigor.
- A edição de número quatro, de 24 a 31 de julho de 1986, ficou marcada pela capa de Laerte e pelo texto do “Manifesto Masculinista Nordestina”, crítico aos modelos rígidos de masculinidade e defendendo pautas como licença-paternidade e igualdade nas tarefas domésticas.
- O principal conflito envolvendo o jornal ocorreu entre Alberto Dines e Fernando Morais nas eleições para governador, resultando em uma edição editorial sobre censura no Pasquim e em processo movido por Dines, do qual a equipe saiu vitoriosa.
- O acervo digitalizado, divulgado quase quarenta anos depois, reconecta o público a um Brasil em redemocratização, inflação alta e plena vida de bancas de jornal. O último número trazia a palavra “ADEUS!” na capa.
O Pasquim São Paulo, versão paulista do semanário, circulou por 56 edições entre 3 de julho de 1986 e 6 de agosto de 1987. O projeto nasceu em meio à redemocratização do Brasil, em meio ao Plano Cruzado e ao processo de eleição da Constituinte.
A ideia partiu do cartunista Jaguar, que lançou a proposta ao jornalista Fernando Gasparian. O projeto contou com Dante Mattiussi e Manoel Canabarro na operação jornalística, enquanto eu, fundador, mantinha outros compromissos profissionais.
Acompanharam o diário nomes de peso do humor, da imprensa e da cultura, como Alberto Dines, Augusto Nunes, Fernando Morais, Mino Carta, Audálio Dantas, Angeli, Laerte, Jaguar, Aldir Blanc, Luiz Gonzaga Belluzzo e Roger do Ultraje a Rigor, entre outros.
A capa que ficou emblemática
A edição 4, de 24 a 31 de julho de 1986, teve capa de Laerte, ainda sem a transição de gênero anunciada publicamente na época. O cartum mostrava um galo com um pintinho na mão, sob a legenda Meu pinto, meu tesouro, e a manchete Omem sem H.
O Manifesto e a pauta do periódico
O texto central apresentava o Manifesto Masculinista, atribuído a uma fictícia Movimentação Masculinista Nordestina, mas criado por Laerte. A ideia defendia o masculinismo crítico a modelos rígidos, pautando licença-paternidade e igualdade nas tarefas domésticas.
Conflitos internos e a repercussão
O maior incidente envolveu Alberto Dines e Fernando Morais, em meio às eleições para governador. Dines apoiava Ermírio de Moraes, Morais apoiava Quércia. A decisão foi não publicar réplica, com editorial apontando censura no Pasquim. Dines processou, e houve desfecho favorável ao jornal.
Desempenho comercial e encerramento
Financeiramente, o Pasquim São Paulo trouxe resultados ambíguos: momentâneas vitórias em bancas frente à Veja, mas sem equilíbrio financeiro estável. Eventos como aniversário na Avenida Club ajudaram a encerrar as contas sem grandes prejuízos.
Desfecho e legado
A última edição trazia a palavra ADEUS na capa e o mascote Sig dizia que o Pasquim não fechava acordo com o FMI. Quase quatro décadas depois, o acervo digitalizado revela um Brasil em transição, com imprensa crítica ativa nas bancas.
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