- O recenseamento de 1926 na Irlanda será publicado online em 18 de abril, reunindo dados de 2,9 milhões de pessoas em mais de 700 mil páginas.
- O arquivo digitalizado pela National Archives of Ireland oferece 21 tópicos por registro, incluindo idade, sexo, estado civil, ocupação, religião, moradia e língua irlandesa.
- A divulgação deve desafiar a imagem de Irlanda como monoetnica, mostrando presença de imigrantes britânicos, norte‑americanos, franceses, italianos, alemães e outras nacionalidades no país.
- Registros de hotéis, prisões, hospitais e navios ajudam a mapear movimentos, empregos e a vida cotidiana, com detalhes anotados por gardaí (policiais) que recolheram os dados.
- O lançamento ocorre sob a regra dos cento anos, com financiamento de cinco milhões de euros, restauração de páginas danificadas e catalogação para acesso público e gratuito, sem paywall.
A National Archives of Ireland liberou online, a partir de 18 de abril, o censo de 1926. O conjunto, digitalizado, reúne mais de 700 mil páginas com dados de 2,9 milhões de pessoas. O objetivo é oferecer um retrato detalhado da vida na Irlanda independente.
O material, fruto de um investimento de 5 milhões de euros, envolve uma equipe de cerca de 50 profissionais. As informações foram extraídas de 1.344 caixas, com restaurações e catalogação para acesso público e pesquisa aberta.
Segundo o historiador John Gibney, da Royal Irish Academy, os dados desafiam a imagem de Irlanda como monolítica. Em 1926, imigrantes estavam presentes em várias regiões, o que revela uma sociedade mais cosmopolita do que se imagina.
A liberdade de acesso ocorreu sob a chamada regra de 100 anos, preservando o conteúdo até a liberação. O arquivo não terá paywall, diferentemente de outros conjuntos históricos liberados recentemente pelo Reino Unido.
As fichas contêm 21 tópicos, incluindo idade, sexo, estado civil, ocupação, religião, condições de moradia e domínio da língua irlandesa. Registros foram obtidos também em prisões, hospitais e navios, onde pessoas residiam.
Durante o processo, garda uniformizados ajudaram a coletar informações, anotando situações que apareciam em campo, como relações familiares não declaradas ou casamentos entre moradores que não constavam no formulário.
Pesquisadores apontam que o censo pode esclarecer por que a população protestante em 26 condados diminuiu entre 1911 e 1926. Guerras, pandemias e a retirada de tropas britânicas explicam parte da queda, mas não todas as causas.
Especialistas pretendem usar o conjunto para entender deslocamentos e ocupações. Além de estudos, estão previstos eventos, documentários e publicações ligadas ao tema, marcando o centenário da liberação.
Estimativas apontam que cerca de 1.200 pessoas hoje têm 100 anos ou mais e podem participar de iniciativas de divulgação chamadas de embaixadores centenários, com histórias ligadas aos primeiros anos da Irlanda moderna.
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