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Pesquisas apontam Pepys ocultou oferta de menino escravizado como suborno

Historiador revela que Pepys recebeu oferta de um menino escravizado como propina, com registros “curados” para ocultar o episódio

Portrait of Samuel Pepys at theNational Portrait Gallery, London.
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  • Pesquisador da Universidade de Cambridge, Dr. Michael Edwards, publicou estudo sobre Samuel Pepys e os arquivos da escravatura entre 1660 e 1689, revelando que Pepys teria “curado” e “apagado” correspondências para esconder que lhe ofereceram um menino escravizado como suborno.
  • Em abril de 1675, John Howe, oficial naval, teria oferecido a Pepys um menino escravizado para obter apoio em defesa de sua promoção, o que Pepys rejeitou na carta.
  • Edwards afirma que Pepys não questionou a escravatura por razões morais, mas para proteger a reputação diante de suspeitas de suborno, usando termos como “gratificação” para descrever o caso.
  • O historiador aponta que o registro do menino foi parcialmente suprimido nos arquivos, com o objetivo de preservar a imagem de Pepys como quem agia dentro da legalidade, enquanto a história do garoto desaparece.
  • O contexto envolve a atuação de Pepys como Secretário da Marinha, ligações com a Royal African Company e o comércio de escravos, incluindo registros de navios que transportavam cativos e episódios de violência associada à escravização.

O historiador britânico Michael Edwards, da Universidade de Cambridge, aponta que Samuel Pepys, diarista e oficial naval na década de 1670, teria “erased” e “curated” correspondências para ocultar uma oferta de escravizado como propina. A conclusão faz parte da pesquisa publicada no Historical Journal.

O estudo analisa o episódio de abril de 1675, quando John Howe, oficial naval, tentou obter o apoio de Pepys para manter o comando de um navio. Howe ofereceu a Pepys a guarda de um rapaz escravizado como presente, sugerindo que ele poderia ser aceito como brinde para favorecer o caso.

Edwards sustenta que Pepys respondeu de forma irônica, mas a ideia central seria preservar a reputação pública, não um questionamento ético sobre a escravização. Para isso, parte da correspondência é descrita como um registro de “gratificação” ou “recompensa”, termo usado para encobrir a natureza da oferta.

Segundo o pesquisador, a organização dos papéis ficava a cargo do secretário de Pepys, William Hewer, que classificou as cartas de modo a proteger a imagem do chefe e a ocultar o envolvimento com a criança escravizada. O período vivia forte politicagem na Marinha e no governo.

A relação de Pepys com a escravização se conecta ao empréstimo de navios à Royal African Company, empresa envolvida no tráfico de pessoas. O navio Phoenix, ligado às operações da RAC, transportou escravizados para a Jamaica, com registros de mortes entre os capturados.

O contexto histórico aponta que Pepys ocupava posição estratégica na administração naval e tinha numerosos adversários políticos. Em 1679, ele chegou a ser preso no Tower of London, sob acusações de corrupção e hereges, o que reforça a leitura de cautela externa com seu legado.

Edwards argumenta que o retrato de Pepys no período revela uma rede complexa entre a state apparatus, a Coroa e empresas africanas, tema pouco explorado. O pesquisador ressalta que esse capítulo da história ajuda a entender a Inglaterra como potência global em formação.

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