- O livro The Library of Lost Maps traz 96 mapas “perdidos” reunidos por James Cheshire, professor de geoinformação e cartografia, após três anos numa sala de mapas na University College London.
- Entre as peças estão mapas de Hiroshima desenhados semanas antes da bomba, de Madrid usados na invasão nazista da Espanha e de o leito do oceano.
- O volume também destaca o mapa de geologia da Índia inteira, criado por George Bellas Greenough, um dos pioneiros a ver a cartografia como algo além de indicar caminhos.
- Cheshire defende a utilidade atual de mapas digitais para ensino e pesquisa, e afirma que a inteligência artificial não substituirá os mapas; eles ajudam conquistas como campanhas por ar mais limpo e avaliação de pegadas de carbono.
- O livro incentiva a reflexão sobre a participação física com mapas na era digital e sugere que museus dedicados a mapas poderiam preservar a memória sociopolítica e o papel dos mapas em negociações e planejamento.
James Cheshire, professor de geoinformação e cartografia da University College London (UCL), dedicou três anos a vasculhar uma sala de mapas esquecida no campus. Em meio a 440 gavetas, ele salvaguardou mapas raros e pouco vistos, resultando em um livro que celebra a cartografia analógica e sua importância.
O livro The Library of Lost Maps reúne 96 mapas considerados perdidos ou esquecidos ao longo de séculos e continentes. Entre eles, aparecem uma carta geológica do subcontinente indiano de uma obra vitoriana e mapas usados em eventos históricos, incluindo períodos marcados pela guerra e pela mudança ambiental. O conjunto é acompanhado de comentários que valorizam bibliotecas como memória sociopolítica.
Cheshire enfatiza a relevância atual de dados cartográficos digitais. O autor aponta vantagens de ter grandes volumes de mapas digitalizados para ensino e pesquisa, além de evitar desperdícios. Segundo ele, o avanço tecnológico não tornará os mapas obsoletos, permanecendo essenciais para debates sobre qualidade do ar, mobilidade urbana e pegadas de carbono.
A obra também discute como o mapa pode influenciar decisões políticas e negociações históricas. O autor cita encontros diplomáticos em que representações cartográficas ajudaram a comparar trade-offs e perspectivas de diferentes partes. A leitura sugere que mapas não são meros instrumentos de localização, mas instrumentos de compreensão de contextos.
Ao percorrer espaços como o National Postal Museum, em Washington, Cheshire reflete sobre a possibilidade de um museu dedicado exclusivamente a mapas. A ideia reforça a noção de que os mapas conectam passado, presente e futuro, revelando que há um mapa para cada leitor e finalidade, se visto com cuidado.
The Library of Lost Maps convida o leitor a lidar com o papel e a tinta, oferecendo uma visão menos digital e mais tangível da história humana. A obra transporta o público a tempos e lugares distintos, ao mesmo tempo em que aponta caminhos para o uso de mapas no planejamento urbano, educação e memória coletiva.
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