- Arthur Bondar, fotojornalista ucraniano-russo, acumula cerca de 35 mil negativos da Segunda Guerra Mundial desde 2016.
- Em 2023, ele contrabandeou as imagens de Moscou em oito remessas, levando-as primeiro para a Geórgia e depois para a Alemanha, onde hoje vive no exílio.
- Bondar compra apenas negativos para preservar imagens autênticas da guerra, evitando distorções que podem ocorrer em fotografias impressas.
- Dentre as imagens, há trabalhos da fotógrafa Olga Ignatovich, uma das poucas profissionais femininas da época, reconhecida pela abordagem humana e não apenas retratos de combate.
- O colecionador busca parceria com uma instituição para preservar e ampliar o acesso ao acervo, que pode durar décadas de trabalho e já desperta interesse de pessoas que aparecem nas fotos.
Arthur Bondar, jornalista e editor de origem ucraniano-russa, guardou uma coleção de cerca de 35 mil negativos da Segunda Guerra Mundial, adquiridos desde 2016. O material foi composto por imagens de fotógrafos amadores e profissionais de várias nações, incluindo a União Soviética e os Estados Unidos.
Bondar deixou Moscou em 2023, levando os negativos em oito remessas. O transporte ocorreu em meio a risco de apreensão, multas ou prisão, pois muitos registros poderiam ser encarados como uma ofensa aos símbolos do Exército Vermelho pela censura russa.
A motivação do colecionador é oferecer uma visão mais crua da guerra. Ele afirma buscar imagens não manipuladas, ao contrário de impressões que, segundo ele, podem ter sido editadas. Entre as peças, há retratos de civis, soldados feridos e cenas diárias de conflito.
O material cruza com arquivos de fotógras como Olga Ignatovich, que atuou para o exército soviético. Alguns trabalhos dela, inclusive imagens da libertação de Auschwitz, aparecem entre os negativos no acervo de Bondar, que assumiu o uso de uma metodologia de trabalho minuciosa, com digitalização quadro a quadro.
Bondar revelou que o acesso ao acervo pela primeira vez ocorreu com uma remitida de Ignatovich entregue em uma caixa de sapatos em Moscou, em 2020. Hoje ele organizou tudo em um arquivo digital, mantendo originais preservados e catalogados.
Além da origem russa, o catálogo reúne imagens que vão desde a Guerra Civil na Espanha até a linha de frente do 1º Frente Ucraniano, passando por cenas de civis em cidades alemãs e soviéticas durante o conflito. A curadoria visa preservar a autenticidade histórica frente a narrativas oficiais.
O jornalista e editor vive com a sua esposa, Oksana, artista e fotógrafa de Kharkiv, na Alemanha, após a fuga. Oksana também participa do projeto como colaboradora criativa e parceira de pesquisa, segundo Bondar.
Bondar já recebeu contatos de pessoas que se reconhecem nas fotos, que, após verificação, recebem cópias em alta resolução. O objetivo é ampliar o acesso público a imagens raras, preservando a memória de quem foi retratado.
Até o momento, Bondar não planeja encerrar o projeto, estimando que o acervo completo representa ainda décadas de trabalho. Ele busca parcerias com institutos que queiram colaborar na preservação e estudo dos negativos categorizados.
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