- Abidjan recebeu o retorno, vindo da França, do tambor falante do povo Atchan, considerado o primeiro artefato devolvido ao país africano.
- O tambor, chamado Djidji Ayokwè (Pantera-Leão na língua Atchan), tem mais de três metros de comprimento e pesa quase quatrocentos quilos.
- Ele era usado para alertar sobre trabalhos forçados e mobilizar combatentes durante o período colonial.
- O governo da Costa do Marfim busca a restituição de 148 artefatos da França; o tambor foi confiscado em mil e seiscentos e transferido à França em mil novecentos e trinta, após ter ficado no palácio do governador em Abidjan.
- A cerimônia contou com músicas tradicionais e danças de guerra, com a ministra da Cultura e da Francofonia, Françoise Remarck, ressaltando o dia histórico; um chefe Atchan destacou o orgulho de recuperar a identidade.
O Ivory Coast recebeu neste Friday a devolução de um tambor falante que esteve sob posse francesa por mais de um século. A cerimônia ocorreu no principal aeroporto de Abidjan, com a presença de chefes tradicionais vestidos com coroas e correntes de ouro. O ato marca a primeira restituição de um artefato de França, antiga potência colonial.
O tambor, conhecido como Djidji Ayokwè e que significa Panther-Lion no idioma Atchan, tem mais de 3 metros de comprimento e pesa cerca de 400 kg, segundo o ministério da Cultura. Era utilizado pelos Atchan para alertar sobre operações de trabalho forçado promovidas pelos colonizadores e para mobilizar guerreiros.
Segundo o ministério da Cultura, a África Ocidental mantém uma agenda de restituição de 148 artefatos de França. O tambor, que já esteve exposto no Quai Branly, em Paris, é o primeiro a retornar ao país. O objeto foi confiscado em 1916 e inicialmente ficou no palácio do governo em Abidjan, antes de seguir para França em 1930.
Remarck, ministra da Cultura e da Francofonia, descreveu o dia como histórico e disse estar profundamente comovida durante a cerimônia, marcada por cantos e danças de guerra. O líder Atchan Gervais Djoman afirmou que o retorno fortalece a identidade do povo e é motivo de alegria e orgulho.
Restituição de artefatos
- O governo de Côte d’Ivoire enfatiza a importância de reconstituir a memória e a herança cultural por meio da devolução de itens culturais.
- A cobrança por parte de diversos países, incluindo França e Grã-Bretanha, tem ganhado força nos últimos anos como parte de debates sobre museus e empréstimos históricos.
- A retomada de Djidji Ayokwè abre caminho para futuras negociações envolvendo o retorno de outros itens remanescentes da colonização.
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