- Investigação da The Guardian mostra que há mais de 263 mil itens de restos humanos em museus, universidades e autoridades locais no Reino Unido, distribuídos por 241 instituições.
- Cerca de 37 mil desses restos têm origem fora do Reino Unido, muitos vindos das antigas colônias, com provenance de milhares ainda incerta.
- A Museums Ethnographers Group e especialistas destacam a herança colonial dessas coleções e defendem cuidado cultural adequado e retorno dos restos às comunidades, com maior financiamento para esse trabalho.
- MPs e arqueólogos pedem ação governamental: criar um registro nacional de restos humanos e fortalecer regras de repatriação; a Lei de Tecidos Humanos de 2004 restringe a retenção sem consentimento apenas a partes com mais de cem anos.
- As instituições com mais restos não europeus são o Museu de História Natural de Londres, a Universidade de Cambridge e o British Museum; o Natural History Museum informou já ter devolvido 580 indivíduos.
An investigação do Guardian aponta para a escala de restos humanos mantidos em museus e universidades no Reino Unido, com mais de 263 mil itens em 241 instituições. Entre os itens estão esqueletos, crânios, ossos, múmias e outras partes do corpo. A apuração destaca que cerca de 37 mil têm origem estrangeira, e a proveniência de muitos demais permanece incerta.
Especialistas e políticos reagem ao levantamento, questionando a exibição de restos humanos em galerias. A consultora Meghan Backhouse, da Museum Ethnographers Group, afirma que o grande volume de restos remete a origens coloniais e defende que comunidades interessadas sejam informadas sobre o retorno de artefatos. Ela também destaca a necessidade de financiamento para capacitação, pesquisa e retorno dos materiais.
Segundo o levantamento, cerca de 63% dos restos são de origem britânica, provenientes principalmente de escavações arqueológicas. Remanescentes africanos, asiáticos, oceânicos e das Américas somam dezenas de milhares de itens, adquiridos em grande parte durante o período colonial, muitas vezes sem consentimento.
Debate internacional e políticas públicas
A apuração intensifica o debate global sobre a exibição de restos humanos em museus. Em Manchester, por exemplo, houve consulta pública sobre a exibição de uma múmia egípcia, com votação amplamente equilibrada entre favoráveis e contrários. Especialistas apontam que decisões não devem ficar a depender apenas de opinião pública.
A educadora egípcia Heba Abd El Gawad ressalta que decisões sobre os restos de antepassados devem envolver comunidades descendentes, não apenas consultas populares. Ela cita textos funerários e práticas funerárias antigas que indicam o respeito necessário para manter os restos intactos. A crítica também destaca o deslocamento histórico significativo desses restos.
Georgina Young, do Manchester Museum, ressalta que a consulta pública é parte de uma revisão mais ampla, incluindo diálogos com comunidades egípcias na cidade e no Egito. O objetivo é aumentar a transparência ao comunicar mudanças de políticas e práticas.
Clima legislativo e instituições envolvidas
A investigação gerou críticas de parlamentares e arqueólogos, que pedem ações para ampliar a responsabilidade ética. Daniel Hicks, da Universidade de Oxford, vê a necessidade de tornar públicas informações sobre quem está sendo mantido em museus e por quê. Líderes políticos defendem o estabelecimento de um cadastro nacional de restos humanos e regras mais claras para retorno.
O Zoológico de História Natural de Londres aponta que sua coleção conta com cerca de 11.785 restos não europeus, seguida por acervos da Universidade de Cambridge e do próprio British Museum. Um porta-voz do Natural History Museum destaca que o museu reconhece o legado imperial e já iniciou o retorno de dezenas de restos a países como Austrália, Nova Zelândia, Zimbábue e Estados Unidos.
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