- A Lufthansa, em seu centenário, encomendou um estudo detalhado sobre seu papel durante o nazismo, reconhecendo que a empresa fez parte do sistema nazista.
- A análise aponta que a companhia participou do rearme secreto, integrou-se à economia de guerra e empregou milhares de trabalhadores forçados em oficinas e fábricas de armamento.
- O gemachtário destaca que, durante a Segunda Guerra Mundial, a primeira Lufthansa foi uma empresa de armamento e contou com apoio estatal e cooperação com nazistas; parte da força de trabalho era composta por trabalhadores forçados, às vezes até 50% da plantilla.
- O estudo de Grieger e colaboradores também amplia o foco para além de números, examinando as condições dos trabalhadores forçados e registrando a doação da Lufthansa à fundação Memória, Responsabilidade e Futuro para ressarcir vítimas do nazismo.
- Questiona-se por que a revisão ocorre agora, associando ao maior escrutínio geracional e ao aumento de debates sobre responsabilidade corporativa no contexto de movimentos históricos recentes.
Lufthansa marca um marco em seu centenário ao reconhecer de forma explícita o papel que desempenhou no regime nazista, incluindo a utilização de trabalhadores forçados. A empresa encomendou um estudo detalhado sobre sua atuação entre 1926 e 1946, ampliando o olhar sobre aquele período sombrio.
A direção da companhia afirma que a operação de Lufthansa na época era integrada ao sistema nazista, com envolvimento na rearme e na produção bélica. O anúncio chega como parte de uma revisão histórica mais ampla, que tem ganhado fôlego nos últimos anos entre grandes grupos industriais alemães.
O estudo, elaborado por historiadores contratados pela própria Lufthansa, será lançado como parte de uma obra maior sobre os 100 anos da empresa. O conteúdo promete detalhar não apenas números de trabalhadores forçados, mas também as estruturas de gestão que ligavam a empresa ao Estado.
Lufthansa tem sido relutante no passado em publicar análises profundas sobre o período, destacando que a atual Deutsche Lufthansa AG não seria a mesma entidade de 1926 a 1945. A nova iniciativa, porém, assume que a ligação entre a empresa e o regime foi direta e estrutural.
Contexto histórico
Segundo o estudo encomendado, a primeira Lufthansa participou ativamente do esforço de guerra, contribuindo para o rearme secreto e para o apoio a uma força aérea paralela. A empresa fornecia recursos, incluindo aeronaves que podiam ser adaptadas para uso bélico, ao longo do período.
Conforme relatos de pesquisadores, a participação da companhia na produção de armamentos se intensificou na Segunda Guerra Mundial, com milhares de trabalhadores forçados empregados em condições inadequadas. Em alguns momentos, esse grupo representou parte relevante da força de trabalho da empresa.
A empresa reconhece que muitos funcionários da gestão anterior integravam também instâncias do Estado, o que facilita entender a relação entre o corporativo e o regime. Entre as conclusões, o estudo ressalta a dependência econômica da Lufthansa em relação a subsídios estatais durante o período.
Perspectivas e desdobramentos
O pesquisador que coordena o trabalho afirma que o capítulo mais sombrio da Lufthansa foi justamente a era nazista, ressaltando que a empresa se tornou parte do regime e de seus atos de guerra. A análise pode abrir portas para novos desdobramentos até 2027, quando se encerrará o estudo ampliado sobre trabalhadores forçados.
A Lufthansa também colabora com iniciativas de reparação, citando participação em fundos destinados a vítimas do nazismo. Segundo especialistas, o movimento atual de revisão histórica reflete uma tendência mais ampla de empresas alemãs que, ao longo de mais de duas décadas, passaram a abrir seus acervos para entender melhor o passado.
Especialistas destacam que o interesse por esse tema cresce com o avanço de novas gerações que questionam a história de empresas familiares e a origem de seus ativos. Se a erosão de tabus históricos continua, a expectativa é de que mais companhias revisem seu papel durante o nazismo e oHolocausto.
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