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Leilão de algemas de pescoço é acusado de lucrar com a escravidão

Leilão na Escócia oferece algemas de 1780 ligadas à escravidão; críticos dizem que o negócio lucra com trauma histórico

‘I think it’s important not to upset and offend, but shock people into learning the whole truth,’ the auctioneer, Marcus Salter, said.
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  • Um leilão de antiguidades na Escócia está oferecendo correntes de pescoço associadas à escravidão de povos africanos em Zanzibar, datadas de 1780 e avaliadas em cerca de £1 mil.
  • O lance ocorre na Cheeky Auctions, de Tain, como parte de um lote intitulado “Challenging History”, após o vendedor afirmar ter herdado as peças de um colecionador há 50 anos.
  • A deputada federal Bell Ribeiro-Addy, que preside o grupo parlamentar de reparações Afrikan, criticou o negócio, dizendo que vendê-las continua a lucrar com a escravidão.
  • O leiloeiro defendeu a venda como forma de confrontar a história, enquanto alguns observadores disseram que objetos ligados à opressão merecem exposição museológica em vez de comércio.
  • Especialistas legais destacaram que não há lei específica que proíba a negociação de artefatos ligados à escravidão, sugerindo gestão responsável e consulta a comunidades afetadas como caminho ideal.

A casa de leilões Cheeky Auctions, em Tain, Escócia, promoverá neste fim de semana uma venda de peças históricas associadas à escravidão. Entre os itens está uma unechaça de pescoço datada de 1780, vinculada ao comércio de cativos na região de Zanzibar sob domínio árabe-omano. O leilão intitulado Challenging History prevê fatura próxima de £1.000 para o conjunto, segundo a organização.

O leiloeiro Marcus Salter afirmou que a venda busca enfrentar a história e não causar ofensa. Ele explicou que o item pertence a um comerciante cujo pai o possuía há cinco décadas e que a mercadoria foi avaliada como artefato histórico que pode circular legalmente. Salter destacou ainda que, se doado a um museu, haveria possibilidade de armazenamento sem exposição pública.

Bell Ribeiro-Addy, deputada trabalhista que preside o grupo parlamentar de reparações Afrikan, criticou a venda. Segundo ela, negociar tais itens perpetua o lucro com o tráfico de escravos e demonstra uma forma de se beneficiar do período de opressão. A parlamentar também reiterou a necessidade de tratar esses objetos com uma perspectiva de reparação histórica.

Reação pública e quadro legal

Nigel Murray, morador da Escócia, informou à Guardian ter visto a promoção do item nas redes sociais e disse que não pretende mais comprar na Cheeky Auctions. Ele acrescentou que o leilão provoca desconforto ao parte da população que vê o artifact como parte de uma ferida histórica.

Especialistas jurídicos ouvidos para o caso afirmaram que não existe uma lei específica que proíba o comércio de objetos ligados à escravidão. Profissionais ressaltaram, porém, que o manejo público desses artefatos deve considerar interesses das comunidades atingidas e, idealmente, envolvimento museológico.

O debate envolve também padrões éticos no mercado de artefatos históricos. Advogada de uma firma londrina, que trabalha com restituição de bens saqueados, afirmou que a gestão responsável envolve conservação pública, diálogo com comunidades afetadas e possíveis doações a museus que mantenham cooperação com tais comunidades.

Apesar das críticas, Salter indicou que o leilão está autorizado e que o objetivo é apresentar a história de forma educativa. Ele afirmou que houve visitas de pessoas que apoiaram a iniciativa e outras que manifestaram discordância, sem previsão de alterações no andamento da venda.

A venda ocorre em um momento de crescente atenção pública sobre a restituição de objetos ligados a abusos históricos. Especialistas apontam para avanços éticos em mercados de arte, com tendência a favorecer o manejo público e a reparação histórica, especialmente em casos envolvendo traumatismos coletivos.

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