- A exposição Arctic Fever, na biblioteca de livros raros Thomas Fisher, da Universidade de Toronto, reúne gravuras, livros, mapas e memorabilia sobre a exploração ártica do século XIX.
- Um recorte de 1861, publicado no Atuagagdliutt, mostra um navio americano no porto de Nuuk e o interesse dos EUA na Groenlândia por seus recursos estratégicos.
- A exposição destaca que, em 1867, o secretário de Estado William Seward também considerava Groenlândia e Islândia de grande valor estratégico.
- A curadora Isabelle Gapp diz que há paralelos com a atual curiosidade dos EUA pelo Ártico, citando o interesse em Groenlândia e a ideia de domínio da região como realidade não negociável.
- A mostra enfatiza a relação com povos indígenas, como a cartografia de Iligliuk, e aponta que a visão do Ártico mudou de passagem a território a ser colonizado.
O mundo da exploração ártica retorna ao foco público com a exposição Arctic Fever, inaugurada na biblioteca Thomas Fisher da University of Toronto. A mostra reúne litografias, livros, mapas e ephemera do século XIX, conectando a corrida polar de então com debates atuais sobre o Ártico.
A exposição revela paralelos entre a ambição territorial do passado e as discussões contemporâneas sobre Greenland e o norte amigo de recursos naturais. Entre itens exibidos, há referências ao interesse americano do século XIX por Greenland e Islândia, discutido por autoridades da época.
Contexto histórico
A mostra enfatiza que, já em 1867, o secretário de Estado William Seward defendia a aquisição de Greenland e Islândia pela sua importância estratégica. O material exposto mostra o uso de Greenland como tema de planejamento geopolítico muito antes de o governo atual reavivar esse debate.
Em entrevista, Isabelle Gapp, historiadora de arte da University of Aberdeen e co-curadora, explica que o público costuma confundir as intenções de Donald Trump sobre Greenland com um fenômeno recente. A curadora ressalta que a história americana com Greenland é longa e complexa.
A visão indígena e a evolução do discurso
Mark Cheetham, historiador da University of Toronto e segundo curador, alerta para a mudança na percepção do Ártico: de rota de passagem a território a ser reivindicado. O acervo destaca o papel dos povos indígenas, cuja relação com a terra e o mar é longa e sustentável, contrastando com visões de conquista.
A mostra também contextualiza expedições como as de William Parry, que aprendeu com o Inuit Iligliuk no século XIX. Mapas e relatos revelam como o conhecimento local influenciou a navegação, contrastando com a mentalidade de conquista dos exploradores europeus.
Legado e atualidade
Os organizadores destacam que o conjunto de obras documenta a evolução das percepções sobre o norte. Embora não haja itens de Sir John Franklin na exposição, a figura dele paira como “fantasma” do período das buscas pela Passagem Northwest, que resultou em inúmeras expedições entre 1847 e 1859.
Em meio a este acervo, encontram-se peças que relatam a vida a bordo de navios e shows realizados para entreter a tripulação durante longos invernos, além de mapas e descrições que mostram como a região foi interpretada ao longo do tempo.
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