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Viver a política e a mitologia: análise sobre cultura e poder

Biografias escritas pelos netos de Raoni e Nahu destacam lutas por demarcação de Terras Indígenas e legado de mediação no Xingu

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
Dois mundos. Ainda jovem, o kaiapó Raoni deixou a aldeia para confrontar o poder e lutar pela demarcação de terras. Nunca deixou, porém, de atuar como pajé – Imagem: Vanessa Lea
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  • Biografias de Raoni e Nahu Kuikuro, escritas pelos netos, chegam em 2024 e 2025 para revisitar as lutas dos povos originários nas últimas décadas.
  • Raoni – Memórias do Cacique narra a vida de Raoni Metyktire, kaiapó que lutou pela demarcação de Terras Indígenas e ganhou projeção internacional.
  • Dono das Palavras relata a trajetória de Nahu Kuikuro, interlocutor do Alto Xingu e agente na criação do Parque Indígena do Xingu; livro bilíngue (kuikuro e português).
  • As obras são baseadas em entrevistas com depoimentos dos próprios índios, enfatizando vozes e mitologias da floresta, com apoio de antropólogos e indianistas.
  • Nahu tornou-se referência por conectar mundos, mediando negociações entre brancos e indígenas; Raoni manteve atuação política e recebeu reconhecimento internacional, incluindo prémio e ações de legado cultural.

Raoni e Nahu Kuikuro aparecem em novas biografias lançadas em 2024 e 2025, escritas pelos netos dos líderes. As obras chegam em um momento de revisões da história oficial sobre os povos originários e seus direitos.

Raoni – Memórias do Cacique apresenta a trajetória de Raoni Metyktire, kaiapó, que deixou o interior de Mato Grosso para cobrar demarcação de Terras Indígenas e ampliar apoio internacional. O livro reúne entrevistas com o líder.

Dono das Palavras narra a vida de Nahu Kuikuro, interlocutor entre o Alto Xingu e lideranças brancas. A obra destaca o papel dele na construção do Parque Indígena do Xingu e nas negociações com o poder não indígena.

As biografias foram escritas pelos netos, com apoio de antropólogos e indianistas. Os relatos priorizam a visão dos povos da floresta, incluindo mitologias e saberes, em vez de narrativas externas.

Raoni nasceu em 1937, na bacia do Rio Xingu. A partir dos 15 anos passou a atuar ao lado dos Villas-Bôas no Parque Nacional do Xingu, fortalecendo a prática de mediação de conflitos entre povos. O envolvimento político ganhou visibilidade pública a partir de 1960.

Nesse período, Raoni manteve encontros com autoridades nacionais. Em uma audiência com Juscelino Kubitschek, pediu a Ilha do Bananal como território indígena, criticando planos de uso turístico. A relação com o poder foi marcada por encontros e ausências.

A figura de Raoni ganhou projeção mundial, associada ao batique no lábio e à defesa da Amazônia. Em 2023, ele integrou a comitiva que acompanhou Lula na posse do terceiro mandato. Reconhecimentos internacionais também chegaram, como o prêmio Liberatum Cultural Honors.

Dono das Palavras destaca ainda a capacidade de Nahu para construir pontes entre kuikuro e não indígenas. O livro é bilíngue, em kuikuro e português, e descreve seus saberes cantados, rezas e rituais, além do papel junto aos Villas Bôas na criação do Xingu.

A obra de Yamaluí Kuikuro Mehinaku parte de entrevistas com familiares, buscando resgatar memórias que, segundo o autor, ficaram ausentes na historiografia. Nahu faleceu em 2005, e seu tributo teve um Quarup celebrado para marcar a importância do líder.

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