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Cinzas em banheira evidenciam destruição do Segundo Templo

Mikveh selado na rocha, com cinzas da destruição, é encontrado sob a Praça do Muro das Lamentações, datando os últimos dias do Segundo Templo

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
Cinzas em banheira ritual atestam destruição do Segundo Templo
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  • Escavações sob a Praça do Muro das Lamentações, em Jerusalém, identificaram um mikveh selado na rocha, com cinzas da destruição no interior, datando dos últimos dias do Segundo Templo.
  • O mikveh mede 3,05 m de comprimento, 1,35 m de largura e 1,85 m de altura, tem quatro degraus e foi escavado diretamente na rocha; foram encontrados também outros mikva’ot e vasos de pedra.
  • A descoberta foi realizada pela Autoridade de Antiguidades de Israel em parceria com a Fundação do Patrimônio do Muro das Lamentações, e reforça informações sobre o período da destruição de Jerusalém em 70 d.C.
  • As cinzas no interior do banho indicam práticas de impureza e pureza ritual ligadas ao fim do Templo, destacando o papel central do Templo na vida da cidade.
  • Em uma escavação paralela, foi encontrado um fragmento de cerâmica com inscrição cuneiforme em acádio do período do Primeiro Templo, sugerindo relações com o Império Assírio.

Dois grandes trabalhos de escavação sob a Praça do Muro das Lamentações, em Jerusalém, revelaram um mikveh selado na rocha com cinzas da destruição do Segundo Templo, datando dos últimos dias desse período. O achado ocorre durante atividades da Autoridade de Antiguidades de Israel, em parceria com a Fundação do Patrimônio do Muro das Lamentações. A descoberta lança novas luzes sobre a destruição de Jerusalém em 70 d.C.

O mikveh é retangular, com 3,05 m de comprimento, 1,35 m de largura e 1,85 m de altura, e possui quatro degraus que levam ao interior. As paredes foram revestidas com reboco, e o ambiente continha cinzas preservadas associadas ao momento da destruição, indicando uso ritual próximo ao fim do período judaico-babilônico.

Segundo os pesquisadores, o local fica entre a Grande Ponte e o Arco de Robinson, áreas que funcionavam como entradas principais do antigo recinto sagrado. A presença dessas cinzas reforça a leitura de que a vida religiosa e as práticas de pureza estavam entrelaçadas com a memória da destruição.

Além do mikveh principal, foram encontrados outros mikva’ot e vasos de pedra na mesma área. A equipe aponta que recipientes de pedra eram usados por longos períodos justamente pela menor propensão à contaminação ritual, em relação a cerâmicas e metal.

O diretor da Fundação do Patrimônio do Muro das Lamentações, Mordechai Eliav, ressaltou o simbolismo da descoberta para a história de Israel, destacando a passagem da impureza à pureza e da destruição à renovação. A obra é apresentada como testemunho da continuidade histórica da relação entre vida religiosa e quotidiano em Jerusalém.

A Autoridade de Antiguidades de Israel também destacou que o achado ajuda a entender a centralidade do Templo na vida da cidade antiga, com a observância de regras de pureza moldando a rotina de moradores e líderes. A equipe ressalta que a preservação desses vestígios é parte essencial da memória histórica de Jerusalém.

A escavação também trouxe um segundo achado significativo em outra frente de pesquisa: um fragmento de cerâmica próximo ao Muro das Lamentações, contendo uma inscrição cuneiforme em acádio, associada ao período do Primeiro Templo (1000–586 a.C.). O objeto mede cerca de 2,5 cm e foi analisado por pesquisadores da Universidade Bar-Ilan.

Especialistas em estudos assírios dizem que a inscrição registra uma reclamação relacionada a um pagamento atrasado que o Império Assírio esperava receber do rei de Judá. A diretora de escavações Ayala Zilberstein ressalta que a peça oferece evidências diretas da relação entre Assírios e Judá, além de ampliar o conhecimento sobre o desenvolvimento urbano da cidade na época.

A equipe destacou ainda que a descoberta contribui para compreender o status do novo bairro que se formou nas encostas ocidentais do Templo, servindo como centro para ministros e pessoas de alto escalão na Jerusalém antiga. O estudo continua, com o objetivo de mapear impactos e vínculos entre domínio imperial e vida cotidiana na região.

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