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Como as obras de Vermeer ficaram fora de vista por tanto tempo

Vermeer: obras mantidas na mesma família por décadas, permanecendo ocultas e sem circulação pública durante esse período

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  • O trecho do livro Vermeer: A Life Lost and Found, de Andrew Graham-Dixon, mostra como Maria de Knuijt e o marido Pieter Claesz van Ruijven encomendaram a maior parte das obras de Vermeer.
  • A filha do casal, Magdalena Pieters van Ruijven, faleceu em 16 de junho de 1682 na casa Golden ABC, em Delft, onde uma carta notarial identificou uma grande coleção de Vermeers.
  • A coleção reunia 20 quadros de Vermeer e 21 de outros artistas; o escriba não listou a autoria da maioria, exceto pela pintura de marinha de Jan Porcellis.
  • A coleção era única pela forma como foi conservada dentro da família e não foi desmembrada por vendas; em 1684, seis quadros passaram a pertencer a Dissius, pai de Jacob.
  • Vermeer começou a trabalhar para a família Van Ruijven por volta de 1657, durante cerca de treze anos; depois disso, ele quase deixou de pintar, o que contribuiu para seu esquecimento até o século XIX.

O que aconteceu envolve a preservação de grande parte da produção de Johannes Vermeer, mantida no seio de uma única família por décadas. Um trecho exclusivo da biografia de Andrew Graham-Dixon revela como Maria de Knuijt e Pieter Claesz van Ruijven encomendaram a maior parte de seus quadros, e como a herança foi repassada dentro de The Golden ABC, em Delft.

A filha do casal, Magdalena Pieters van Ruijven, faleceu em 16 de junho de 1682 na casa conhecida como The Golden ABC, no Great Market Square. Um cartório visitou o imóvel em 1683 para listar os bens pessoais de Magdalena e encontrou um acervo significativo de Vermeer.

Descoberta e acervo

O inventário de Magdalena continha 20 pinturas de Vermeer, além de 21 obras de outros artistas. O notário descreveu apenas uma obra de Jan Porcellis, com outra paisagem anônima, expostas na sala frontal junto às 11 telas de Vermeer. O relatório refletia a orientação do viúvo de Magdalena.

O acervo não era comum: coleções privadas holandesas na era dourada costumavam ser mais diversas. A ligação dominante às obras de Vermeer tornava a coleção única e quase completa, abrangendo aproximadamente dois terços da produção conhecida do pintor.

Destino e preservação

A história mostra uma preservação incomum: o acervo permaneceu na família original, sem desmembramento por venda de partes. Em 18 de julho de 1684, autoridades decidiram que seis quadros pertenciam a Dissius, o pai de Jacob. Resta saber se Abraham Dissius assumiu a posse física ou apenas nominal.

Jacob Dissius, que herdou a posse, manteve as obras no The Golden ABC pelo restante da vida. Ao morrer em 1695, ele abriu espaço para que a coleção fosse dispersa, encerrando o acervo intacto mantido pela família.

O papel de Vermeer na história da arte

Registros apontam que Vermeer começou a trabalhar para a família Van Ruijven por volta de 1657, aos 20 e poucos anos. Nas 13 anos seguintes, produziu a maioria de suas telas para esse patronato, antes de se dedicar a outras atividades. A relação com os patronos foi singular para a época.

A notoriedade de Vermeer aumentou apenas no século XIX, quando críticos o recuperaram do esquecimento. Entre as explicações, agrupa-se o fato de ele ter pintado quase tudo para uma única família e desta ter mantido as obras por tanto tempo, o que atrasou a popularização do pintor.

Contexto crítico

A obra de Vermeer ficou afastada do circuito público por décadas, ao contrário de mestres como Rembrandt e Hals. A biografia de Graham-Dixon sugere que o papel da família Ruijven e de Dissius teve peso decisivo na percepção tardia do artista, até receber novo fôlego histórico no século XIX.

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