- Imagens de satélite mostram parte do cemitério de guerra de Gaza, em al-Tuffah, Gaza City, sendo desmatado com covas de terra e muretas, onde lápides foram removidas.
- A área afetada abriga túmulas de dezenas de soldados aliados (britânicos, australianos e outros) mortos nas guerras mundiais; quatro seções da Primeira Guerra Mundial também foram achatadas.
- Forças israelenses afirmam ter agido em zona de combate para neutralizar ameaças, alegando infraestrutura subterrânea identificada no cemitério.
- Testemunha Essam Jaradah, antigo zelador, contou duas operações de rebaixamento: uma fora dos muros, com oliveiras ao redor, e outra dentro do cemitério, na ponta onde ficam as sepulturas australianas, ocorrendo perto do fim do período de retirada.
- A British Legion e a Commonwealth War Graves Commission condenam os danos; o território está sob tensão desde a linha amarela que divide Gaza, com continuidade de ataques e milhares de deslocados.
Dois conjuntos de imagens de satélite e depoimentos de testemunhas indicam que parte de um cemitério de Gaza, que abriga túmulos de soldados aliados mortos nas duas guerras, foi destruída pela classificação de operações militares. O local fica em al-Tuffah, um distrito de Gaza City, e as demarcações sugerem uso de equipamentos pesados para remoção de túmulos e reorganização do terreno.
Segundo a testemunha Essam Jaradah, antigo zelador do cemitério, houve duas operações de desmonte. A primeira ocorreu fora dos muros do cemitério, abrindo um raio de aproximadamente 12 metros ao redor de todas as extremidades, com área coberta por pés de oliveira. A segunda, dentro do cemitério, atingiu a ponta sudoeste, onde estão enterrados soldados australianos, resultando na remoção de lápides e na formação de montes de areia para barreiras.
A divulgação de imagens mostra uma área interior mais afetada, com pilhas de areia e uma faixa de terra removida que ocupa parte da área onde há memoriais. Dados de satélite de agosto e dezembro mostram o avanço da destinação de solo, em contraste com a vegetação que voltou a cobrir o restante do terreno.
Destruição e justificativas das forças israeldas
O exército de Israel afirmou ter sido forçado a adotar medidas defensivas no âmbito de uma zona de combate ativa. Em nota, um porta-voz disse que houve tentativas de ataques de grupos armados contra tropas, com abrigo próximo ao cemitério, e que as ações visaram neutralizar ameaças. O exército também apontou a identificação de infraestrutura terrorista subterrânea na área.
A Royal British Legion manifestou preocupação com o dano aos túmulos de britânicos e de tropa aliada, destacando que cemitérios de guerra devem ser tratados com respeito. O comitê britânico responsável pela preservação dos memoriais ressaltou a importância de manter a dignidade desses locais.
Contexto e estado atual
Desde o cessar-fogo parcial, a região permanece dividida pela chamada linha amarela, entre áreas sob controle israelense e sob controle de Hamas. Apesar de declarações de cessar fogo, relatos apontam disparos de ambos os lados contra civis na região. As forças israelenses mantêm operações em zonas sensíveis próximas à linha, segundo relatos de autoridades locais.
A Commonwealth War Graves Commission (CWGC) informou, em 11 de dezembro, que o cemitério sofreu danos significativos, incluindo lápides, memoriais e estruturas de apoio. Registros da CWGC indicam danos em memoriais de diferentes unidades britânicas e áreas com honras indianas, além de seções religiosas variadas.
Prof. Peter Stanley, historiador de defesa na University of NSW Canberra, comentou que o cemitério é considerado um espaço sagrado com grande valor emocional para os países aliados. Ele destacou a importância de proteger memoriais, especialmente em áreas de conflito prolongado, sem, contudo, emitir juízos sobre a importância relativa dos eventos no cenário mais amplo.
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