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Israel demoliu parte de cemitério de guerra em Gaza com sepulturas aliadas

Imagens de satélite mostram demolição de parte do cemitério de Gaza, atingindo túmulos de soldados aliados, em operação apontada como medida defensiva pelos militares israeleiros

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
Graves of unknown soldiers at the Gaza war cemetery in 2009. Satellite imagery shows what appears to be systemic destruction in part of the cemetery.
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  • Imagens de satélite mostram parte do cemitério de guerra de Gaza, em al-Tuffah, Gaza City, sendo desmatado com covas de terra e muretas, onde lápides foram removidas.
  • A área afetada abriga túmulas de dezenas de soldados aliados (britânicos, australianos e outros) mortos nas guerras mundiais; quatro seções da Primeira Guerra Mundial também foram achatadas.
  • Forças israelenses afirmam ter agido em zona de combate para neutralizar ameaças, alegando infraestrutura subterrânea identificada no cemitério.
  • Testemunha Essam Jaradah, antigo zelador, contou duas operações de rebaixamento: uma fora dos muros, com oliveiras ao redor, e outra dentro do cemitério, na ponta onde ficam as sepulturas australianas, ocorrendo perto do fim do período de retirada.
  • A British Legion e a Commonwealth War Graves Commission condenam os danos; o território está sob tensão desde a linha amarela que divide Gaza, com continuidade de ataques e milhares de deslocados.

Dois conjuntos de imagens de satélite e depoimentos de testemunhas indicam que parte de um cemitério de Gaza, que abriga túmulos de soldados aliados mortos nas duas guerras, foi destruída pela classificação de operações militares. O local fica em al-Tuffah, um distrito de Gaza City, e as demarcações sugerem uso de equipamentos pesados para remoção de túmulos e reorganização do terreno.

Segundo a testemunha Essam Jaradah, antigo zelador do cemitério, houve duas operações de desmonte. A primeira ocorreu fora dos muros do cemitério, abrindo um raio de aproximadamente 12 metros ao redor de todas as extremidades, com área coberta por pés de oliveira. A segunda, dentro do cemitério, atingiu a ponta sudoeste, onde estão enterrados soldados australianos, resultando na remoção de lápides e na formação de montes de areia para barreiras.

A divulgação de imagens mostra uma área interior mais afetada, com pilhas de areia e uma faixa de terra removida que ocupa parte da área onde há memoriais. Dados de satélite de agosto e dezembro mostram o avanço da destinação de solo, em contraste com a vegetação que voltou a cobrir o restante do terreno.

Destruição e justificativas das forças israeldas

O exército de Israel afirmou ter sido forçado a adotar medidas defensivas no âmbito de uma zona de combate ativa. Em nota, um porta-voz disse que houve tentativas de ataques de grupos armados contra tropas, com abrigo próximo ao cemitério, e que as ações visaram neutralizar ameaças. O exército também apontou a identificação de infraestrutura terrorista subterrânea na área.

A Royal British Legion manifestou preocupação com o dano aos túmulos de britânicos e de tropa aliada, destacando que cemitérios de guerra devem ser tratados com respeito. O comitê britânico responsável pela preservação dos memoriais ressaltou a importância de manter a dignidade desses locais.

Contexto e estado atual

Desde o cessar-fogo parcial, a região permanece dividida pela chamada linha amarela, entre áreas sob controle israelense e sob controle de Hamas. Apesar de declarações de cessar fogo, relatos apontam disparos de ambos os lados contra civis na região. As forças israelenses mantêm operações em zonas sensíveis próximas à linha, segundo relatos de autoridades locais.

A Commonwealth War Graves Commission (CWGC) informou, em 11 de dezembro, que o cemitério sofreu danos significativos, incluindo lápides, memoriais e estruturas de apoio. Registros da CWGC indicam danos em memoriais de diferentes unidades britânicas e áreas com honras indianas, além de seções religiosas variadas.

Prof. Peter Stanley, historiador de defesa na University of NSW Canberra, comentou que o cemitério é considerado um espaço sagrado com grande valor emocional para os países aliados. Ele destacou a importância de proteger memoriais, especialmente em áreas de conflito prolongado, sem, contudo, emitir juízos sobre a importância relativa dos eventos no cenário mais amplo.

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