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Milícias xiitas no Iraque atacam EUA, Irã não começou a guerra

Milícias chiitas ligadas a Irã mantêm forças paralelas no Iraque, elevando tensões com os EUA e ampliando o risco de guerra civil regional

Pósteres de combatientes chiíes caídos durante la lucha contra el ISIS en Mosul, en el cementerio de la sureña ciudad santa de Nayaf, la semana pasada.
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  • Milícias chiítas Hashd al Shaabi, ligadas ao Irã, atuam ao lado de forças do exército iraquiano e de facções pró-iranianas, compondo um aparato paralelo ao aparato militar regular.
  • O grupo soma cerca de 170 mil milicianos, convivendo com os cerca de 400 mil soldados do Exército; há bases compartilhadas e trajetórias de famílias ligadas a ambas as estruturas.
  • Autoridades de Bagdá discutem o desarmamento das milícias, enquanto o governo afirma que a prioridade é a soberania iraquiana e a saída das tropas dos Estados Unidos; há risco de conflito interno se a realocação for mal conduzida.
  • A Otan evacuou, em 20 de março, seu pessoal militar do Iraque diante da escalada de ataques com drones e mísseis contra bases norte-americanas e interesses regionais.
  • Em meio à tensão, ocorreu o seqüestro da jornalista americana Shelly Kittleson, em Bagdá, por militantes da Kataeb Hezbolá, evidenciando a fragilidade de controle do governo sobre as milícias e o aprofundamento das tensões entre Bagdá e Washington.

O confronto entre milícias chiitas pró-iranianas, facções ligadas ao Estado iraquiano e as forças regulares do Exército iraquiano intensificou-se recentemente, agravando as tensões com os EUA. Drones e mísseis têm sido usados contra bases e interesses norte-americanos no território iraquiano, elevando o risco de escalada regional.

Membros da Hashd al Shaabi, o movimento de milícias que atua paralelamente ao aparato estatal, afirmam lutar pelo país e pela soberania, alegando que os EUA tentam mudar lideranças regionais. O grupo sustenta que seus objetivos incluem a defesa do território contra o que chamam de agressões ocidentais.

O recado das milícias chega num momento em que Bagdá tenta manter equilíbrio entre Washington e Teerã. A atuação dos grupos proiranianos acontece ao lado de unidades do exército regular, dificultando qualquer separação entre forças oficiais e milícias.

A OTAN, que treinava forças iraquianas desde 2016, anunciou a evacuação de pessoal no país no dia 20 de março, diante do aumento do fogo cruzado. A medida reforça a leitura de que a violência envolve atores estatais e não estatais. A situação abre espaço para avaliações estratégicas no governo.

Mohammed Shiaa al Sudani, primeiro-ministro, afirmou que as Fateações de Movimentação Popular (FMP) pertencem ao aparato estatal e devem ser desarmadas apenas com base legal. O governo insiste na soberania iraquiana e na retirada de tropas estrangeiras como condições para qualquer desarme das milícias.

Entre os grupos paralelos às FMP, destacam-se facções que atuam com ataques fora do território nacional, inclusive contra bases de EUA, Síria e Kuwait. Líderes dessas facções dizem atuar de forma independente, com financiamento próprio, porém reconhecem laços com entidades religiosas e interesses regionais comuns.

Em Baghdad, jovens vinculados às FMP promovem ações de apoio a comunidades afetadas pela guerra, destacando laços com militantes de outras regiões. A mobilização ocorre em meio a um clima de tensão, com episódios de violência que já deixaram baixas entre militares e civis.

Contexto regional

Na capital, a presença de milícias associadas ao Irã é vista como um desafio à autoridade do governo iraquiano. Observadores destacam que a coexistência entre forças regulares, milícias e unidades da Hashd pode dificultar a responsabilização por ataques e a coordenação das operações.

A violência recente eleva o risco de uma conflagração interna, dificultando ainda mais a condução de políticas públicas e de reconstrução. A comunidade internacional acompanha com cautela o desenrolar dos conflitos e as respostas de Bagdá e das forças multilaterais.

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