- Hezbollah retomou o combate em 2 de março, encerrando 15 meses de trégua unilateral, em reação ao assassinato do líder supremo iraniano, Ali Jameneí, segundo a versão do grupo.
- O conflito provocou deslocamento de mais de um milhão de pessoas no Líbano, enquanto Israel mantém operação e afirma que pode expulsar Hezbollah do sul do país.
- Hezbollah mostrou manter capacidades de ataque, disparando cerca de cem projéteis e drones contra Israel e causando mortes a militares israelenses.
- O governo libanês pediu o desarmamento da milícia; Israel afirmou que Hezbollah vai pagar um alto preço e pretende ampliar ações no território libanês.
- A crise humanitária persiste, com dezenas de milhares de pessoas buscando abrigo; organizações humanitárias apontam impactos na saúde mental e expectativa de prolongamento do conflito, enquanto a ajuda internacional caiu em relação a 2024.
O Hezbollah reforça sua posição no Líbano após mais de um mês de confronto com Israel, em meio ao sofrimento da população libanesa. O Exército israelense segue com operações que já provocaram deslocamentos de mais de um milhão de pessoas no país. A milícia xiita recupera capacidades consideradas duramente testadas pela última guerra.
Desde 2 de março, o grupo libanês rompeu uma trégua de 15 meses, em resposta ao assassinato do líder iraniano Ali Khamenei por EUA e Israel, segundo a versão defendida por seus aliados. No entanto, o desfecho é visto como reação às violações percebidas do cessar-fogo por parte de Israel, provocando críticas internas e externa.
A comunidade internacional acompanha com preocupação o recrudescimento do conflito, que já levou dezenas de milhares de libaneses a buscar refúgio em áreas mais estruturadas do território. Analistas ressaltam que o Hezbollah não foi extinto pela ofensiva de 2024 e que as ações atuais complicam a narrativa de vitória israelense.
Ocupação, desalojo e impactos humanitários
O governo libanês, que em 2025 havia proibido o braço armado do Hezbollah, pediu negociações com Israel para evitar novos ciclos de conflito. Em resposta, o gabinete de Jerusalém manteve a linha militar, anunciando sua intenção de ocupar território e deslocar populações para reduzir a capacidade do grupo.
O militar israelense informou a defesa de ações contra o que descreve como o front do sul do Hezbollah, incluindo ataques a infraestrutura civil. Observadores destacam que esses bombardeios facilitam deslocamentos forçados e afetam serviços básicos, como saúde e higiene.
O Ministério da Saúde libanês e organizações humanitárias apontam que cerca de 14% do território libanês está sob risco de deslocamento ativo, com mais de um milhão de pessoas deslocadas. A ONU tem recebido recursos internacionais, mas ressaltou queda no apoio de alguns parceiros em comparação com 2024.
Desafios sociais e psicológicos
Residentes do sul do Líbano relatam condições precárias em abrigos, com superlotação e carência de saneamento. Profissionais de saúde mental, como equipes de MSF, relatam aumento de estresse, ansiedade e casos de sofrimento que afetam principalmente famílias que já viviam sob pressão econômica e social. Muitos relatos apontam impactos duradouros na qualidade de vida.
Casos de danos a moradias na fronteira, como em Kfar Kila e Qantara, são citados por moradores que relatam perdas significativas de patrimônio e dificuldades para reconstrução. A situação cria um ambiente de insegurança permanente e alimenta a procura por soluções de longo prazo, enquanto o desarmamento voluntário permanece incerto.
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