- Nazar Mohammad, ex-usuário de heroína, disse que o centro de reabilitação de Kabul o ajudou a vencer o vício há dois anos e que ele ficou lá como cuidador de cerca de 2.000 pacientes.
- Ao sair do hospital na segunda-feira, ele viu um avião lançando uma bomba e retornou ao local, encontrando cena de devastação com feridos e corpos irreconhecíveis.
- O governo talibã afirma que mais de 400 pessoas morreram e 265 ficaram feridas no ataque aéreo; a ONU aponta 143 mortos e 119 feridos, números não verificados de forma independente.
- Testemunhas e grupos independentes disseram que o centro de reabilitação foi atingido, gerando disputa entre Kabul e Islamabad sobre se foi alvo deliberado ou erro de identificação.
- O centro, que também tratava dependência de ketamina, era um dos poucos serviços de saúde disponíveis para recuperação, e a destruição é vista como um grande impacto na assistência aos pacientes.
Kabul sofreu um ataque aéreo contra um centro de reabilitação, na noite de segunda-feira, segundo autoridades afegãs e relatos independentes. O bombardeio atingiu o local, que recebia aproximadamente 2.000 pacientes, entre quem buscava tratamento para dependência de drogas. O episódio provocou cenas de devastação e medo entre os moradores e funcionários.
Nazar Mohammad, ex-usuário de heroin e cuidador no centro, afirmou que o local o ajudou a ficar limpo por dois anos e que teme recaídas após o ataque. Ele descreveu o momento como repentino, com pessoas gritando e corpos espalhados entre os escombros.
O governo Taliban afirma ter registrado mais de 400 mortos e 265 feridos. Dados não independentes foram contestados por equipes de assistência humanitária, que apontaram números diferentes. A Missão da ONU no Afeganistão informou 143 mortos e 119 feridos em avaliação preliminar.
Impactos humanos e operacionais
A tragédia levanta dúvidas sobre a continuidade dos serviços de saúde no país, especialmente para dependentes de substâncias. O ataque afetou parte de uma instalação que funciona como centro de tratamento para pacientes de diversas origens e condições médicas, sobrecarregando serviços locais já precários.
Analistas ressaltam que a queda de áreas de cultivo de opiáceos no país, em função de políticas do governo, não reduziu a demanda por substâncias. A ênfase passou a se voltar para drogas sintéticas e uso de fármacos, com serviços de saúde sob pressão e capacidade limitada.
Sobreviventes e esperança de recuperação
Entre os pacientes, há relatos de progressos em tratamento, com regimes de desintoxicação e acompanhamento médico. Pessoas que permaneceram no centro dizem que a instituição oferecia refeições diárias e apoio contínuo, elementos considerados vitais para a continuidade da recuperação.
Um médico local que buscava tratamento para dependência de ketamina mencionou ter começado o processo no centro há apenas 20 dias, antes do ataque. Ele relata que, apesar do avanço, o futuro de sua recuperação permanece incerto diante da instabilidade atual.
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