- A morte do influente articulador de poder iraniano, Ali Larijani, complica a tomada de decisões no país e reduz as opções enquanto a guerra prossegue.
- A perda de líderes de alto escalão intensifica a desorganização no governo e pode atrasar coordenação entre instituições.
- Analistas veem o fortalecimento das instituições de segurança como tendência, o que aumenta o controle, mas reduz a flexibilidade política.
- A substituição de Larijani sob condições de guerra pode ser mais difícil do que o sistema foi projetado para admitir.
- O presidente da Câmara, Mohammad Baqer Qalibaf, surge como uma das figuras com credenciais militares e peso político, em meio a um poder cada vez mais centrado no aparato de segurança.
DUBAI, 18 de março (Reuters) – O assassinato do principal articulador de poder do Irã, Ali Laríjani, coloca o país em uma fase mais incerta, complicando a tomada de decisão em Teerã e reduzindo opções no contexto de um conflito que perdura. A operação segue uma onda de ataques que atingem autoridades seniores.
O risco institucional cresce conforme oficiais experientes são neutralizados em ações direcionadas. Grupos de poder entre Clero, aparato de segurança eificar, variam na capacidade de traduzir a realidade de campo em estratégia política.
Quatro altos funcionários disseram que faltam no meio aliadas com a mesma capacidade de ligar cenário de combate a planejamento político, criando um vácuo que pode frear decisões e coordenação.
Laríjani reuniu legitimidade clerical rara, ligações profundas com a Guarda Revolucionária (IRGC) e trajetória de político experiente, o que o tornava um intermediário confiável no sistema de centros de poder.
Essa pessoa era vista como elo entre clérigos e o aparato de segurança, e sua perda amplia o risco de fragmentação do governo durante a guerra, segundo um dos oficiais.
Analistas afirmam que o regime tende a se inclinar ainda mais para as instituições de segurança, ganhando controle, mas perdendo flexibilidade para conduzir o conflito ou negociar um eventual desfecho.
Ali Vaez, da International Crisis Group, aponta que a remoção de Laríjani não paralisará o sistema, mas pode reduzir a prudência em momentos perigosos e a continuidade de políticas.
Para Vaez, cada assassinato aproxima o Irã de caminhos de governança autoritária ou de colapso do Estado, enquanto o aparato de segurança se fortalece no cerne do processo decisório.
Oficiais ouvidos pela Reuters indicam que a sobrevivência do regime é a meta principal, com o sistema buscando manter funcionamento mesmo com perdas entre liderança e comando.
Analistas destacam que o Parlamento permanece com alguns líderes de peso, como Mohammad Baqer Qalibaf, que combina credenciais militares e influência política, mantendo-se como figura central.
Qalibaf aparece como uma das poucas pedras de apoio com capacidade de articular decisão, enquanto o IRGC concentra a prática de execução de ordens, segundo especialistas.
Apesar disso, Qalibaf não possui o mesmo lastro clerical de Laríjani, o que pode dificultar a unificação de facções internas, ainda que fortaleça a aliança com as forças de segurança.
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Perspectivas de continuidade e riscos
Com a continuidade dos ataques direcionados, o regime pode ter que substituições além de manter o equilíbrio entre poder clerical e segurança, algo que o sistema não foi originalmente preparado para enfrentar.
Analistas ressaltam que a liderança pode adotar estratégias de contenção e recrutamento de substitutos com perfis de lealdade, mantendo o núcleo do Estado estável sem abrir margens a reformas democráticas.
O cenário atual indica que a prioridade do governo é a sobrevivência, não a adoção de mudanças rápidas, mesmo diante de pressões externas e internas.
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