- Paquistão atingiu esconderijos de militantes na província de Kandahar, no Afeganistão, durante a noite, segundo o governo paquistanês.
- Os ataques transfronteiriços incluem ações aéreas paquistanesas em Cabul e representam um dos mais intensos confrontos entre os dois países.
- O governo afegão afirmou não haver baixas e descreveu os alvos como um local usado por seguranças durante o dia (vazio à noite) e um centro de reabilitação de drogas com danos menores.
- O Ministério da Defesa do Afeganistão disse ter atingido um acampamento do exército paquistanês em Waziristão do Sul em retaliação; o Paquistão rebateu, chamando de propaganda.
- Um morteiro vindo do Afeganistão destruiu uma casa em Bajaur, no Paquistão, deixando pelo menos quatro membros da mesma família mortos; os dois países trocaram acusações sobre ataques a civis.
Afeganistão e Paquistão continuam em conflito, com ataques transfronteiriços intensificando a tensão entre os dois países. Na noite de ontem, o Paquistão alegou ter visado esconderijos de militantes na província de Kandahar, no Afeganistão, enquanto as escaladas de hostilidades persistem desde o fim de fevereiro. O governo afegão afirmou que não houve baixas em suas forças, mas denunciou que o Paquistão tenta “alimentar o fogo da guerra”.
Segundo a pasta de informação paquistanesa, Attaullah Tarar, as ações atingiram instalações de armazenamento de equipamentos e uma infraestrutura de apoio técnico. Em resposta, o governo afegão disse que um dos prédios destruídos era utilizado por seguranças durante o dia e que outra instalação, um centro de reabilitação de drogas, teve danos moderados. Não houve relatos de vítimas, segundo as autoridades afegãs.
Afeganistão e Paquistão se acusam mutuamente de violações de soberania e de ataques contra civis, numa escalada que já envolve ataques aéreos paquistaneses em Kabul. O ministério afegão da Defesa afirmou ter retaliado com um ataque a um acampamento do Exército paquistanês na região de South Waziristão, alegando destruição de grande parte do centro de comando e de instalações, além de altas baixas. O Paquistão, por sua vez, rejeitou a acusação como propaganda e afirmou ter abatido apenas um drone.
Contexto do conflito
O Afeganistão também disse ter conduzido operações dentro do território paquistanês, a partir de Kunar e Nangarhar, alegando capturar um posto militar paquistanês e matar alguns soldados. O Paquistão rejeitou essas alegações. As autoridades paquistanesas já haviam apontado o Talibã afegão como divisório de grupos militantes pelo lado paquistanês, acusação negada por Cabul.
No fim de fevereiro, o conflito transfronteiriço aumentou após uma ofensiva afegã em retaliação a ataques paquistaneses contra áreas no Afeganistão, provocando a suspensão de um cessar-fogo mediado pelo Qatar em 2025 e elevando temores de desestabilização regional.
Desdobramentos regionais
Na véspera, um morteiro lançado pelo Afeganistão atingiu uma casa no distrito de Bajaur, no noroeste do Paquistão, matando ao menos quatro membros de uma mesma família e ferindo outras duas pessoas, segundo Adnan Khan, funcionário do governo local. As autoridades locais destacaram que a violência tem impactado civis de ambos os lados.
Presidente paquistanês Asif Ali Zardari afirmou, neste fim de semana, que o governo afegão havia ultrapassado uma linha vermelha com ataques com drones a áreas civis em território paquistanês, em resposta a ações paquistanesas anteriores. Autoridades paquistanesas também reportaram ataques a instalações de armazenamento de drones no Afeganistão, em escalada de retaliação.
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