- Um ataque com pelo menos dois drones atingiu Goma, no leste da República Democrática do Congo, na madrugada de quarta-feira, deixando três mortos e feridos em aberto.
- Entre as vítimas está Karine Buisset, colaboradora francesa da Unicef.
- O ataque ocorreu por volta das 04h30, atingiu o bairro Himbi e causou danos materiais, incluindo a casa de trabalhadores humanitários.
- A milícia M23 disse ter atacado o exército congolês, mas o governo e as Forças Armadas ainda não comentaram; Nangaa afirmou que o objetivo era eliminar os “cerebros” da rebelião.
- Grandes operadores humanitários informaram que a casa atingida era alugada por funcionários da Unicef e da ECHO; ataques ocorrem em um contexto de escalada de drones na região.
Um ataque com drones atingiu Goma, a maior cidade do leste da República Democrática do Congo, na madrugada desta quarta-feira. Pelo menos três pessoas morreram e há feridos não especificados, segundo informações locais.
Entre as vítimas está Karine Buisset, funcionária francesa do Unicef. A confirmação foi feita pela agência humanitária e pelo presidente francês, Emmanuel Macron. Hadja Lahbib, comissária europeia, também condenou o ataque.
Os impactos ocorreram por volta das 04h30, no bairro Himbi, conhecido por abrigar figuras políticas e empresários. Além das mortes, houve danos materiais; o ataque é o primeiro a mirar um bairro não periférico de Goma desde o controle da área pela milícia M23 no início de 2025.
Controle do grupo e versões sobre o alvo
A milícia M23 acusa o exército congolês de responsabilidade, mas o governo e as Forças Armadas não se manifestaram. Um dirigente do M23 disse à Reuters que a casa atingida era alugada por funcionários do Unicef e da ECHO, agência humanitária da UE.
O segundo drone teria visado a residência de Corneilla Nangaa, coordenador político da guerrilha, mas caiu no lago Kivu. Nangaa afirmou que o ataque visava os líderes da organização, não uma ofensiva comum.
Repercussões e contexto
A residência atingida pelo drone incendiou o telhado; às 9h o prédio seguia em chamas. Mesmo com os danos, moradores relataram que atividades retomaram, com escolas e comércio abrindo e o transporte funcionando.
Residentes destacaram o aumento recente de ataques com drones na região. Analistas veem esse episódio como sinal de uma possível ofensiva maior para retomar zonas de Kivu do Norte. A ONU e outras instituições pedem respeito ao direito humanitário.
Proteção de trabalhadores humanitários
A RDC é um dos ambientes mais perigosos para profissionais humanitários, com diversos ataques a convoys, hospitais e campos de ajuda. O Unicef afirmou que investiga o caso e ressaltou a necessidade de proteção aos trabalhadores.
A Monusco, missão da ONU na RDC, condenou o ataque e lembrou que ataques contra pessoal da ONU podem configurar crimes de guerra. A organização pediu o fim da violência e a retomada do diálogo político.
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