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Confronto entre forças paquistanesas e afegãs; ONU diz 100.000 deslocados

Conflito entre forças paquistanesas e afegãs amplia deslocamentos: mais de 115 mil em Afeganistão e 3 mil no Paquistão, civis atingidos durante o Ramadã

Displaced Afghan children, who along with their family, fled following exchanges of fire between Pakistani and Afghan forces at a border crossing, sit outside their makeshift tent as they take refuge in Lal Pur district in eastern Nangarhar province, Afghanistan, March 4, 2026. REUTERS/Stringer
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  • Tropas paquistanesas e afegãs trocaram tiros em dezenas de pontos da fronteira, em um conflito que já dura uma semana.
  • A ONU informou que mais de 115 mil pessoas foram deslocadas na Afeganistão e cerca de 3 mil no Paquistão.
  • Ações de combate incluíram ataques aéreos paquistaneses contra instalações do governo Taliban e ataques a postos fronteiriços afegãos; o Afeganistão disse ter atingido alvos no Paquistão, inclusive uma base em Kandahar, enquanto fontes paquistanesas mencionaram operações terrestres e aéreas.
  • Casas perto da fronteira ficaram sob fogo ao pôr do sol durante o Ramadan, com relatos de famílias abandonando suas casas.
  • Não há negociações em curso para encerrar o conflito; o Paquistão afirma que não haverá diálogo e que é responsabilidade do Afeganistão interromper o terrorismo.

KABUL, 6 de março – Tropas paquistanesas e afegãs trocaram fogo em dezenas de pontos ao longo da fronteira na sexta-feira, conforme a ONU informou que o conflito de uma semana provocou deslocamento de mais de 100 mil pessoas. O embate acirrado mantém a região sem sinais de aproximação.

Os confrontos também incluíram ataques aéreos paquistaneses contra instalações do governo talibã, como a base aérea de Bagram, ao norte de Cabul. As potências sul-asiáticas continuam em choque, em meio a tensões regionais que envolvem outros conflitos no Oriente Médio.

Afeganistão afirmou que forças talibãs atingiram unidades militares paquistanesas ao longo da fronteira de 2.600 km, destruindo postos e derrubando um drone. Já fontes de segurança do Paquistão disseram ter realizado operações terrestres e aéreas contra alvos militares afegãos, incluindo Kandahar.

Deslocamento e protestos

Na capital, Kabul, dezenas de pessoas protestaram contra os ataques paquistaneses a território afegão, com faixas e cânticos. Em Laghman, a agência Bakhter relatou grande mobilização contra as ações recentes de Islamabad. Moradores relataram início de intensos bombardeios ao pôr do sol.

Moradores de cidades fronteiriças relataram famílias buscando abrigo à medida que o fogo se intensifica perto de hora de jantar, durante o mês sagrado do Ramadã. Vizinhos afirmam que parentes fugiram para áreas seguras.

A agência de refugiados da ONU informou que cerca de 115 mil pessoas em Afeganistão e 3 mil no Paquistão deixaram casas desde o início dos confrontos. Diversos países se mostraram dispostos a negociar um cessar-fogo, com destaque para a Turquia.

Situação diplomática e dados oficiais

O governo paquistanês afirmou que não há negociações em curso para encerrar o conflito e reiterou responsabilidade sobre a proteção de seus cidadãos. Islamabad acusou Cabul de abrigar militantes que atacam o Paquistão.

O Ministério de Defesa do Talibã disse ter atingido uma base militar no sul do Paquistão, embora a Reuters não tenha conseguido verificar o ocorrido. O Paquistão, por sua vez, não confirmou danos na região de Balochistão.

A ONU informou números divergentes sobre civis mortos e feridos, com 56 civis mortos e 128 feridos em Afeganistão, segundo sua missão no país. O governo talibã afirmou ter registrado 110 civis mortos.

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