- Nesta terça-feira, 17, Gaza inicia o Ramadã, ainda sob cessar-fogo iniciado em 10 de outubro do ano passado, mas com incertezas sobre o futuro.
- A trégua permanece frágil e a população continua dependente de ajuda humanitária, diante de pressão inflacionária e poder de compra reduzido.
- Relatórios do Programa Alimentar Mundial e da Organização das Nações Unidas apontam melhora na disponibilidade de alguns alimentos.
- Moradores relatam dificuldades: a energia é irregular, não há eletricidade nem frigoríficos para armazenar alimentos, e há preocupação com a proteína para o jejum.
- O conflito levou ao fechamento de passagens fronteiriças e à proibição da entrada de ajuda alimentar, abrangendo uma crise de fome que durou de março a setembro de 2025.
Gaza começa o Ramadã em meio a um cessar-fogo frágil e incertezas. Famílias no território iniciaram o mês sagrado nessa terça-feira, 17, com expectativa e cautela pelas próximas semanas.
O cessar-fogo, iniciado em 10 de outubro do ano passado, não trouxe tranquilidade aos abrigos de refugiados. O clima no campo de Bureij permanece marcado pela fragilidade e pela dependência de ajuda externa.
Maisoon al-Barbarawi, que trabalha na distribuição de pão e tâmaras, descreve a rotina de apoio aos moradores, destacando a solidariedade entre vizinhos diante da perda de casas e familiares.
Contexto humanitário
Relatórios do Programa Alimentar Mundial e da Ocha apontam melhora na disponibilidade de alguns alimentos, ainda que a insegurança permaneça. O abastecimento é essencial para as famílias que jejuam.
Hanan al-Attar contou à Al Jazeera que a ajuda recebida no primeiro dia do Ramadã alivia a preocupação com a alimentação para o jejum, embora não haja infraestrutura elétrica e frigoríficos funcionando.
Este ano, as famílias unem esperança à escassez, buscando manter tradições religiosas enquanto enfrentam dificuldades diárias. A situação continua descrita como frágil e incerta para o futuro.
Maisoon afirma que o Ramadã não alterou a realidade: há dois anos cozinham em fogo aberto, e o vento apaga a chama. Ela ressalta a importância de manter as crianças com algum conforto.
As comunidades em Bureij decoram as tendas para o Ramadã, visto como refúgio temporário diante da deslocação contínua. O foco permanece na alimentação básica, saúde e bem-estar das crianças.
Desafios persistentes
A região enfrenta risco contínuo de novas operações militares, com impactos em deslocamentos, fornecimento de água e serviços. A população segue monitorando sinais de possível retaliação ou novos confrontos.
A nova fase do conflito trouxe o fechamento de passagens fronteiriças e restrições à entrada de ajuda alimentar, agravando a crise humanitária que já perdura desde março de 2025.
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