- O inverno em Kyiv fica mais intenso devido a ataques russos à infraestrutura de energia, deixando milhares sem aquecimento.
- A cidade registra cerca de 2.600 prédios sem energia ou aquecimento, com apagões que costumam durar apenas algumas horas por dia.
- A Unicef aponta impactos em famílias com crianças e no funcionamento de escolas, com 45% das instituições sem aquecimento central.
- Moradores recorrem a abrigos, tendas de aquecimento, baterias externas e improvisos para se manterem aquecidos; houve mortes por hipotermia.
- Técnicos dizem que a rede elétrica está sobrecarregada pelos aparelhos de aquecimento, enquanto ataques continuam a atingir a infraestrutura.
Kiev vive o inverno mais duro desde o início da invasão, com cortes de energia provocados por ataques russos à infraestrutura. Milhares ficaram sem aquecimento, recorrendo a abrigos e truques caseiros para enfrentar o frio de -18°C.
A rede elétrica da capital sofreu sobrecarga, e muitos blocos de apartamentos ficaram sem luz e água. Estima-se que cerca de 2.600 edifícios estejam sem energia, em meio a interrupções que variam de algumas horas diárias a períodos mais longos.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) aponta impactos significativos na educação e no bem-estar infantil, com 45% das escolas sem aquecimento central. Crianças enfrentam isolamento social e atividades escolares interrompidas.
Abrigos e histórias de sobrevivência
Natalya Pavlovna está em Kyiv com o filho de dois anos, Danylo, em um abrigo aquecido. Eles usam tendas dentro de casa para manter o calor e reduzir o desconforto.
Outra moradora, Julia Po, mostra o apartamento sem energia, com água congelada e portas seladas com isolamento improvisado. Ela dorme com várias cobertas e usa aquecimento portátil para enfrentar as noites.
Profissionais de energia, como Oleh Yaruta, da DTEK, descrevem a rede sob pressão; bombas e cabos embaixo do solo sofrem quebras repetidas. Reparos são realizados mesmo durante cortes e sirenes de alerta.
Pelo lado da população, muitas famílias adotam soluções criativas: baterias, carvão, geradores e aquecedores improvisados. Em alguns casos, moradores recorrem a aquecer objetos por perto de fontes de energia alternativas.
Alguns residentes avaliam sair da cidade, enquanto outros permanecem para ficar perto de familiares. A sensação é de que o frio não é apenas climático, mas também operacional, com serviços básicos atingidos em várias áreas da cidade.
Críticos apontam falhas na proteção de infraestrutura pelas autoridades locais. O presidente Volodymyr Zelenskyy e o prefeito de Kyiv, Vitali Klitschko, continuam sob avaliação pública sobre a resposta aos cortes. A situação segue com ataques russos a alvos energéticos, incluindo ocorrências recentes em Odesa.
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