- A Rússia começou a reduzir o funcionamento do app Telegram em todo o país, segundo a autoridade de comunicações, alegando violações regulatórias anteriores.
- Telegram é usado por mais de 60 milhões de pessoas por dia; a medida gerou críticas públicas de militares, blogueiros pró-guerra e exilados.
- O episódio ocorre em meio à busca de Moscou por um “internet soberano” e ao impulso para um super-app similar ao WeChat, chamado Max.
- Ainda não está claro se haverá bloqueio total ou apenas lentidão inicial para pressionar a cooperação com autoridades.
- Observadores destacam que Telegram é importante para comunicações de unidades militares, logística e coordenação, o que levanta preocupações sobre impactos operacionais.
A autoridade reguladora de comunicações da Rússia anunciou nesta semana que o aplicativo Telegram seria desacelerado nacionalmente, após alegadas violações de regulamentação. A medida afeta mais de 60 milhões de usuários diários no país e tem o objetivo de pressionar a empresa a colaborar com autoridades.
A decisão provocou críticas públicas incomuns entre soldados, blogueiros pró-guerra e figuras oficiais, que destacam riscos de prejudicar a comunicação entre o estado, unidades militares e o público. O governo busca ampliar o controle sobre a internet e plataformas estrangeiras.
O Kremlin tem promovido o conceito de um “internet soberano” e o desenvolvimento de um super-app, inspirado no WeChat, para ampliar o poder estatal sobre a comunicação digital. Ainda não está claro se Telegram será bloqueado total ou apenas reduzido.
Telegram é amplamente utilizado por militares russos para coordenação logística e comunicação tática, inclusive em posições de apoio. Banimento ou desaceleração pode afetar operações e informações de fronteira.
A portavoza do Kremlin disse que as autoridades mantêm contato com representantes do Telegram. Em caso de falha de diálogo, a fiscalização poderá avançar conforme a legislação vigente, segundo ela.
O fundador do Telegram, Pavel Durov, criticou publicamente as medidas, afirmando que restringir a liberdade dos cidadãos não é a solução e que a plataforma defende privacidade e liberdade de expressão.
Analistas apontam que a decisão ocorre em momentos sensíveis, com relatos de interrupções de serviços de conectividade usados por tropas. Em outra frente, a SpaceX desativou terminais Starlink em Kiev após negociações com a Ucrânia.
Especialistas próximos ao tema sugerem que, se o Telegram for desacelerado, a coordenação entre unidades e agências pode ficar comprometida, especialmente em operações de defesa anti-drones. A situação gera preocupação entre autoridades locais.
Alguns governadores regionais manifestaram cautela. O líder de Belgorod afirmou que a desaceleração pode dificultar a transmissão de informações operacionais em caso de piora do cenário na fronteira.
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