- Um ataque com drone do Rapid Support Forces atingiu um veículo de deslocados perto de Er Rahad, em North Kordofan, deixando pelo menos 24 mortos, incluindo oito crianças (duas infantis).
- As pessoas estavam a caminho de fugir de combates na área de Dubeiker; vários feridos foram levados para Er Rahad para atendimento.
- A Sudan Doctors Network pediu à comunidade internacional ações imediatas para proteger civis e responsabilizar a liderança do RSF por essas violações.
- Não houve comentário imediato do RSF sobre o ataque; o grupo está em conflito com as Forças Armadas do Sudão há cerca de três anos.
- O ataque ocorre no contexto de ataques a operações humanitárias, incluindo um comboio do Programa Mundial de Alimentos (WFP), aumentando a crise humanitária na região, com condenações de organismos internacionais.
Aeronáutica de drone atingiu veículo que transportava famílias deslocadas no centro do Sudão, matando ao menos 24 pessoas, entre elas oito crianças, informou neste sábado a Sudan Doctors Network, que acompanha o conflito no país. O ataque ocorreu próximo à cidade de Er Rahad, na província de North Kordofan, segundo a organização de médicos.
O veículo levava deslocados que fugiam de combates na região de Dubeiker. Entre as vítimas estavam dois bebês. Vários feridos foram encaminhados para tratamento em Er Rahad, que enfrenta grave insuficiência de suprimentos médicos, destacaram os médicos.
A Sudan Doctors Network pediu à comunidade internacional e a organizações de direitos humanos que atuem de forma imediata para proteger civis e responsabilizem diretamente a liderança das RSF, o grupo paramilitar envolvido no ataque. Não houve resposta imediata da RSF.
A RSF tem travado guerra contra as forças militares sudanesas há cerca de três anos, buscando o controle do país. O conflito — que começou com uma disputa de poder em 2023 — causou milhares de mortes e milhões de deslocados.
Ataques a ajuda humanitária
Na sexta, um ataque com drone atingiu uma coluna do Programa Alimentar Mundial (WFP) em North Kordofan, matando uma pessoa e ferindo várias outras, informou Denise Brown, coordenadora humanitária da ONU no Sudão. A área visada ficava em El Obeid, segundo a UN.
Brown destacou que o ataque prejudica operações de entrega de alimento essencial a pessoas deslocadas. Em comunicado, ressaltou que ataques a ações de ajuda aumentam o sofrimento de quem enfrenta fome e deslocamento.
Na semana anterior, houve outro ataque com drone próximo a uma instalação do WFP na província de Blue Nile, ferindo um trabalhador da agência, conforme a equipe da ONU.
Reações internacionais e contexto regional
O grupo Emergency Lawyers atribuiu o ataque à RSF, enquanto a Sudan Doctors Network classificou como violação flagrante do direito humanitário internacional e potencial crime de guerra. Massad Boulos, assessor de assuntos africanos e árabes dos EUA, pediu responsabilização. O diplomata criticou a destruição de ajuda humanitária financiada pelos EUA.
A britânica Jenny Chapman, ministra do Desenvolvimento Internacional, afirmou que ataques a civis e a trabalhadores humanitários são inaceitáveis. Já o Ministério de Relações Exteriores da Arábia Saudita condenou os recentes ataques a civis, às ambulâncias de ajuda e a uma instalação hospitalar em Kordofan, pedindo fim aos ataques.
O órgão saudita também mencionou possíveis ligações com forças estrangeiras envolvidas no conflito, em referência a acusações de armamento e participação de agentes de países terceiros. O использования dessas acusações envolve controvérsias e negadas por alguns governos.
O conflito no Sudão já deixou mais de 40 mil mortos, segundo a ONU, com milhões de deslocados e uma crise humanitária de grandes proporções. Organizações de assistência alertam para risco de fome em diversas regiões, com projeções de agravamento em 2026.
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