- A reabertura da passagem de Rafah, entre Gaza e o Egito, foi esperada como parte de um acordo de cessar-fogo de outubro, com a expectativa de retomada parcial das travessias.
- Enquanto Israel mantém controle principal da fronteira, ainda não está claro como ocorrerá o retorno total das atividades entre Gaza e o Egito.
- Milhares de palestinianos aguardam viagem para Gaza ou para fora para tratamento médico, com mais de 20 mil pacientes na lista da Organização Mundial da Saúde para evacuação.
- Famílias separadas pela guerra, inclusive pacientes com necessidade de cirurgia e familiares em busca de tratamento, enfrentam esperanças renovadas, embora haja dezenas de relatos emocionais sobre perdas e dificuldades.
- A demora anterior levou a casos trágicos, como a morte de Dalia Abu Kashef, que esperava pelo Rafah para realizar um transplante de fígado.
A passagem de Rafah entre Gaza e o Egito voltou a abrir parcialmente, após meses de retenção, como parte de acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas. A reabertura ocorre mesmo com o controle de fronteira mantido por Israel, que ainda define condições e operações. Palestinos presos do outro lado esperam viajar ou retornar, cientes de que as restrições podem se agravar ou se manter.
Entre quem aguarda estão famílias separadas pela guerra, pacientes que precisam de tratamento médico no exterior e pessoas que desejam retornar a Gaza para ficar com seus entes queridos. A expectativa é de que a abertura parcial permita fluxos limitados, ainda sem clareza sobre a extensão total das travessias.
Faten Hamed Abu Watfa, 43 anos, está em Cairo desde abril de 2024, longe de seus três filhos em Gaza. Ela descreve a distância e a dificuldade de acompanhar a vida familiar à distância. Seu retorno dependerá da possibilidade de atravessar Rafah, com a casa em Gaza incendiada durante o conflito.
Mohammad Talal al-Burai, 28 anos, mora em Jabalia e teve a casa destruída. Ele está entre os que aguardam voltar para Gaza, temendo novas interrupções, mas relata disposição de enfrentar longas dificuldades para ficar com a família.
Para muitos, o retorno também envolve riscos de deslocamento e novas dificuldades de acesso a serviços básicos. Familiares que já vivem no Egito relatam incerteza sobre quando poderão se reunir com parentes que ficaram em Gaza.
Do lado de Gaza, a saúde de várias pessoas depende da evacuação para tratamento no exterior. A Organização Mundial da Saúde registra milhares de pacientes aguardando passagem, incluindo crianças e pacientes com câncer, para atendimento médico fora da região.
Entre os casos de urgência, Noor Daher, 31, designer gráfica com defeito cardíaco, expressa esperança de receber tratamento que permita estabilizar a condição. A retina de muitos depende da continuidade de esse corredor humanitário.
A reabertura, porém, surgiu acompanhada de tragédia: uma mulher de 28 anos, Dalia Abu Kashef, não conseguiu viajar a tempo para uma cirurgia de transplante de fígado, vindo a falecer na semana passada enquanto aguardava a inclusão no corredor de Rafah.
A expectativa de muitos envolve ainda a possibilidade de reconstrução de lares e comunidades, após dois anos de escalada de violência. Mesmo com a retomada parcial do cruzamento, as famílias permanecem vulneráveis a novas restrições e a incertezas do conflito na região.
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