- O cruzamento de Rafah entre Gaza e Egito foi reaberto por Israel para um número limitado de pessoas a pé, com 50 palestinos permitidos em cada direção no primeiro dia.
- A abertura está sujeita a triagem de segurança conjunta israelense-egípita e, por ora, permitirá apenas uma pequena fração dos feridos e doentes leave Gaza diariamente.
- Milhares de civis aguardam evacuação médica; a Organização Mundial da Saúde estima que cerca de 20 mil pacientes estão à espera de sair, e mais de 11 mil são pacientes com câncer.
- A saúde em Gaza foi severamente impactada por bombardeios, incluindo o desmantelamento de hospitais especializados, levando médicos a operar em clínicas improvisadas.
- A reabertura é vista como passo do acordo de cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, com a fase dois prevendo comissão de governança, força internacional, desarmamento do Hamas e reconstrução.
Abertura limitada do posto de Rafah entre Gaza e o Egito foi autorizada por Israel, permitindo a passagem de um número restrito de pessoas a pé. A medida ocorre em meio a avanços diplomáticos para estabilizar o conflito.
O controle do posto, que não fica sob domínio compartilhado com Israel, foi estabelecido em maio de 2024 com o argumento de impedir contrabando de armas por Hamas. A reabertura visa aliviar o acesso a cuidados médicos, viagens e comércio, ainda que com restrições.
Segundo autoridades egípícias (em condição de anonimato para a AP), apenas 50 palestinos poderão atravessar em cada direção no primeiro dia de operações. A passagem volta a funcionar apenas para um contingente limitado de doentes e feridos entre as dezenas de milhares que aguardam evacuação.
Contexto humanitário e demanda por evacuação
Antes da guerra, Rafah era a única via de Gaza não controlada por Israel. A reabertura pode facilitar acesso médico, viagens ao exterior e visitas a familiares no Egito, onde milhares de palestinos já residem.
A Organização Mundial da Saúde registra dezenas de milhares na fila para evacuação médica. A direção da saúde de Gaza aponta cerca de 20 mil pacientes esperando para deixar a faixa de Gaza, com mais de 11 mil pacientes oncológicos entre eles, segundo fontes de saúde.
Mesmo com a retomada, a infraestrutura médica de Gaza permanece fragilizada por ataques aéreos que causaram danos extensos. Em março de 2025, um ataque destruiu o único hospital de tratamento oncológico da região, agravando a escassez de diagnósticos e tratamentos.
Há ainda cerca de 4 mil pessoas com encaminhamentos oficiais para tratamento em países terceiros, que não conseguem atravessar a fronteira. Pessoas atingidas pela crise relatam dificuldades para conseguir se deslocar para atendimento necessário.
Perspectivas e reações
Alguns relatos destacam que a abertura chega tarde para quem precisa de procedimentos urgentes, como transplantes ou tratamentos complexos. Famílias ainda esperam por chegadas de médicos, pacientes e familiares para se reunirem.
A iniciativa é vista como passo relevante no atual acordo de cessar-fogo mediado pelos EUA, que prevê troca de reféns, aumento de ajuda humanitária e redução parcial das tropas. A segunda fase envolve governança de Gaza, força internacional e desarmamento.
A chefe da diplomacia da UE comentou que a abertura de Rafah representa avanço concreto no plano de paz, com missão civil da UE no terreno para monitorar as operações e apoiar as autoridades de fronteira locais.
Fonte: agências Reuters e Associated Press, com contexto adicional de OMS.
Entre na conversa da comunidade