- Demanda do agro pelas hidrovias do Norte atrai fabricantes de motores; a japonesa Yanmar amplia estoque em Manaus para atender o mercado de embarcações de passageiros, carga e lazer.
- O transporte fluvial na região liga Manaus a cidades do interior e sustenta a movimentação de grãos e combustíveis, com as hidrovias do Arco Norte respondendo por parte expressiva das exportações de soja e milho em 2025.
- A Yanmar fabrica motores no Japão; os modelos marítimos chegam ao Brasil em 60 a 90 dias, com produção de maior potência muitas vezes sob encomenda; cerca de oitenta e cinco por cento da demanda de motores marítimos de trabalho está na navegação fluvial.
- A Zona Franca de Manaus pode oferecer isenção de PIS/Cofins sobre produtos, ajudando a reduzir preços de motores e equipamentos.
- Empresas do setor, como Atem, dependem de motores confiáveis; a frota da Atem inclui cerca de vinte motores Yanmar e, em operações maiores, o tempo de vida útil das máquinas costuma chegar a oito a dez anos.
O movimento do agronegócio no Norte impulsiona a demanda por hidrovias e atrai fabricantes de motores e distribuidoras. No Amazonas, a Yanmar japonesa amplia estoque e aposta em motores mais eficientes para competir em um mercado dominado por navios de passageiros, carga e lazer.
A embarcação Glória de Deus, operada por Francisco Louro Reis, descia pela margem do Rio Negro em Manaus, perto do meio-dia. A viagem faz parte de uma rota regional que liga Manaus a comunidades ribeirinhas, com viagens que podem durar dias e transportar dezenas de passageiros.
Entre janeiro e outubro de 2025, os portos do Arco Norte responderam por 37,2% das exportações brasileiras de soja e 41,3% de milho, conforme a Conab. O setor agro continua a ampliar a demanda por transporte fluvial na região.
A Yanmar, que atua desde 1912 e fabrica motores marítimos no Japão, amplia o estoque local em Manaus. Modelos de maior potência costumam ser produzidos sob encomenda, com prazos de entrega entre 60 e 90 dias para chegar ao Brasil.
O gerente da operação de motores marítimos da Yanmar em Manaus, Igor Cabral, diz que ampliar o estoque é um risco calculado. O objetivo é evitar perdas de negócios por falta de reposição imediata.
Desde o fim da pandemia, o volume de motores marítimos vendidos pela empresa triplicou. As vendas no segmento de trabalho passam de pouco mais de 30 para acima de 100 unidades por ano, chegando a mais de 200 quando incluem lazer. A cateroria agrícola fica fora dessa conta.
Na região, 85% da demanda por motores marítimos de uso profissional está ligada à navegação fluvial, o que motiva o interesse da Yanmar pelo Norte. A Zona Franca de Manaus é outro atrativo, com isenção de PIS/Cofins sobre mercadorias, ajudando a reduzir preços.
Além da Yanmar, o mercado de motores para navegação é disputado por Caterpillar, Cummins, Volvo Penta e Yamaha, com variações entre barcos de carga, empurradores e embarcações de lazer. Motores de popa também são comuns.
Para o setor, o combustível continua sendo o principal custo. O gerente Wagner Santaniello destaca ganhos de eficiência com motores que consomem menos e menos paradas, especialmente em períodos de seca severa.
AEM Transporte de grãos e combustíveis é central na logística da região. Entre janeiro e outubro de 2025, o Arco Norte movimentou 49,7 milhões de toneladas de soja e milho, segundo a Conab, reforçando a importância das hidrovias.
A Atem, grande distribuidora de combustíveis no Norte, integra o núcleo de operadores que dependem de balsas e empurradores. A empresa mantém cerca de 20 motores Yanmar na frota de distribuição, que atende Amazonas, Pará e Rondônia.
David Fernandes, armador com atuação entre Manaus e Tabatinga, aponta que a seca dos últimos anos exigiu renovação de frota e diversificação de operações. Em sua empresa, já foram usados 12 barcos com motores Yanmar ao longo da atuação.
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