- O Forbes Mulher Agro criou um projeto piloto de mentoria entre empresárias do agronegócio, conectando mentoras e mentoradas de estados diferentes por videoconferência, em oito sessões.
- O objetivo é abordar lacunas de desenvolvimento executivo, especialmente entre mulheres que já têm formação e empresas consolidadas, mas enfrentam barreiras para chegar a cargos de alta liderança.
- Dados mostram que o agronegócio tem baixa representatividade feminina na alta liderança (9% em cargos de CEO e 23% no quadro geral), apesar de avançar nos últimos três anos.
- O programa enfatiza autoconhecimento, metas de liderança e uma relação de mentoria baseada em pares do setor, sem a transferência de decisões pela mentora, com foco em trajetórias individuais.
- O próximo passo é formar um núcleo operacional no FMA para gerenciar mentoras, mentoradas e os matches, ampliando a rede e conectando lideranças de regiões diferentes para reduzir o isolamento.
A mentoria entre mulheres do agronegócio ganha corpo como solução para lacunas de liderança no setor. O projeto piloto envolve o Forbes Mulher Agro (FMA) e conecta mentoras a mentoradas de estados diferentes, em sessões on-line ao longo de três meses. A iniciativa nasceu da percepção interna do grupo de que existe espaço para desenvolvimento executivo entre empresárias já consolidadas.
Nina Plöger, presidente do FMA, afirma que a ideia surgiu do incômodo com a distância entre competências, oportunidades e visibilidade de lideranças femininas. O projeto não é institucional, mas uma ação dentro do grupo, que escolheu aprender com modelos externos para estruturar a mentoria de forma responsável.
O agronegócio figura entre os setores com menor participação feminina em cargos de alta liderança no Brasil. Dados de 2025 mostraram apenas 9% de CEOs ocupados por mulheres e 23% de mulheres no quadro de colaboradores, segundo o Great Place to Work. No entanto, houve avanço: entre 2022 e 2025, a participação feminina em posições de alta liderança subiu de 14% para 24%.
Ainda segundo pesquisas, quase 11 milhões de mulheres atuaram no setor em 2023, segundo Cepea e CNA. Contudo, 59% das decisões permanecem sob responsabilidade masculina, conforme estudo da PwC. O desafio não é a competência, mas o tempo dedicado ao desenvolvimento profissional, impactado pela sobrecarga de funções.
A mentoria é defendida como forma de ampliar acesso, visibilidade e validação para lideranças femininas. Estudos internacionais indicam que a equidade em cargos pode demorar décadas, destacando a importância de programas estruturados para acelerar trajetórias, especialmente no agro.
O modelo do FMA busca manter a confiabilidade da relação entre mentora e mentorada. A metodologia, adaptada de um material da Fiesp, prevê objetivos por sessão, testes de perfil de liderança e mapeamento de sabotadores internos, com a regra de não decisão pela mentora.
A implementação ocorreu com mais de oito encontros, em que cada mentorada descreve metas em três horizontes. Ao longo das sessões, observa-se a evolução da autoconfiança e o reconhecimento de habilidades ainda não exploradas, segundo relatos da facilitadora.
Além do aprendizado individual, o piloto revelou ganhos coletivos. Mentoras e mentoradas destacam a relevância de redes entre pares, conectando mulheres de diferentes estados para ampliar oportunidades e reduzir o isolamento geográfico que marca o agronegócio.
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