- O agronegócio brasileiro enfrenta dificuldade de encontrar mão de obra qualificada, mesmo com avanço tecnológico e demanda elevada.
- Parte dos trabalhadores evita carteira assinada por medo de perder benefícios sociais, gerando rotatividade e queda de produtividade.
- Há escassez de operadores, auxiliares, técnicos e gestores, elevando salários no setor e pressionando custos e preços dos alimentos.
- O 3º trimestre de 2025 marcou recorde de ocupação no agronegócio, com 28,58 milhões de trabalhadores, representando 26,35% dos empregos do país.
- O perfil do trabalhador rural está mudando, com maior participação de quem tem ensino médio e superior; especialistas ressaltam necessidade de infraestrutura, conectividade e qualificação contínua.
O agronegócio brasileiro enfrenta uma contradição: avanços tecnológicos e demanda, mas dificuldade persistente para encontrar mão de obra qualificada. A pergunta comum em várias áreas do campo é se há disponibilidade de trabalhadores formais com carteira assinada. O problema, no fim, envolve entraves na contratação e na retenção de profissionais.
Alguns trabalhadores resistem à formalização para evitar a perda de benefícios sociais. Produtores oferecem estrutura, salários e oportunidades, mas enfrentam dificuldades para efetivar vínculos. A consequência é alta rotatividade, menor estabilidade e impacto na produtividade.
A escassez de mão de obra qualificada agrava o quadro. Faltam operadores, assistentes administrativos, técnicos e gestores, elevando salários no setor acima da média nacional. Não se trata apenas de quantidade, mas de profissionais com qualificação disponível.
Escassez e impacto econômico
O quadro reflete uma tendência mais ampla no Brasil, com menor disponibilidade de candidatos em diversos setores. A menor produtividade eleva custos, pressionando o preço dos alimentos e impactando toda a cadeia até o consumidor final.
O uso intensivo de tecnologia no campo aumenta a necessidade de formação adequada. Falhas técnicas exigem supervisão e retrabalho, reduzindo autonomia, eficiência e rentabilidade das operações agropecuárias.
Dados e mudanças demográficas
O Boletim Mercado de Trabalho do Agronegócio Brasileiro, do Cepea, aponta recorde de 28,58 milhões de trabalhadores na terceira semana de 2025, equivalente a 26,35% dos empregos no país. O indicador supera o 3T2024 (26,15%) e o 2T2025 (26,04%).
Apesar do crescimento, 87% da população brasileira vive em áreas urbanas, o que limita a disponibilidade de mão de obra rural. O estudo revela ainda mudança no perfil do trabalhador do campo, com maior participação de pessoas com ensino médio e superior.
Perspectivas e ações
A CNA defende ações amplas para melhorar infraestrutura, conectividade, organização dos processos produtivos e jornadas de trabalho. Soluções passam por qualificação contínua, modernização das relações de trabalho no campo e estímulo ao emprego formal em conjunto com programas sociais.
O setor aponta que o desafio exige colaboração entre produtores, governos e instituições para ampliar a capacitação técnica e adaptar o campo às novas demandas.
Perfil do trabalhador e liderança
Dados do Cepea indicam evolução do perfil profissional no agro, com maior presença de trabalhadores mais qualificados. Helen Jacintho, engenheira de alimentos e produtora rural, destaca a adoção de gestão Lean e a importância de lideranças em melhoria contínua para modernizar o campo.
Entre na conversa da comunidade