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Pressão econômica iraniana leva EUA a novo recuo

Pressão econômica do Irã pressiona recuo dos EUA, com petróleo próximo de US$ 110 e impactos no câmbio, inflação e mercados globais

Flames rise from a gas flare at the Rumaila oil field, as the country cuts nearly 1.5 million barrels per day of output amid halted exports following the closure of the Strait of Hormuz, in Basra, Iraq, March 4, 2026. REUTERS/Essam Al-Sudani
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  • O presidente dos EUA, Donald Trump, recuou pela segunda vez em menos de uma semana de ameaças de atacar a indústria de energia do Irã, diante das dificuldades de ampliar a guerra sem sofrer impactos econômicos.
  • O preço do barril fica em torno de US$ 110, e as bolsas de Wall Street, além de títulos da zona do euro e do Tesouro dos EUA, operam em queda.
  • Economistas avaliam que, se a infraestrutura energética regional for danificada, o mundo e os EUA sofreriam com menor oferta de petróleo, prejudicando a popularidade de Trump entre eleitores independentes e republicanos.
  • Analistas alertam que a guerra pode ter consequências catastróficas se se prolongar, afetando gás usado em fertilizantes e a produção de chips e semicondutores, especialmente em Taiwan.
  • Em meio a eleições legislativas em novembro, há preocupações sobre o impacto político do conflito e sobre possíveis cenários de escalada, com o estreito de Ormuz no centro das tensões.

O segundo recuo de Donald Trump em menos de uma semana diante da ameaça de atacar a indústria de energia do Irã revela as limitações dos EUA para ampliar o conflito, diante dos impactos econômicos do fechamento do Estreito de Ormuz e dos ataques à infraestrutura energética do Golfo.

O efeito imediato é um petróleo ao redor de US$ 110 o barril, com ações em Wall Street em patamar próximo aos mínimos de seis meses e quedas nos títulos na zona do euro e no Tesouro dos EUA. Analistas observam que a pressão econômica pressiona a estratégia militar.

Para o economista Pedro Paulo Bastos, da Unicamp, Trump faz gestos de endurecimento para testar a adesão doméstica, mas recua porque eventuais ataques iranianos podem acirrar retaliações no Golfo. Ele diz que danos à produção elevam o preço global do petróleo.

Bastos destaca que uma destruição mais ampla da infraestrutura energética aumentararia as perdas econômicas globais e nos EUA, dificultando qualquer reversão rápida da capacidade produtiva. A reativação de sistemas paralisados demanda tempo e investimentos.

Economista Marco Fernandes, do Brics, aponta que efeitos econômicos podem se tornar catastróficos se o conflito se prolongar ou ampliar os estragos na região. Ele compara o cenário a junções de crises anteriores, com impactos significativos sobre mercados globais.

Fernandes também alerta que o recuo pode indicar estratégia de tempo para uma invasão terrestre do Irã, o que elevadaria as respostas iranianas e aprofundaria a crise econômica que Trump tenta conter. A intensificação de ações na região poderia acender novas fraturas no mercado energético.

O gás do Oriente Médio, essencial para fertilizantes, chips e semicondutores, é citado como fator crucial. O setor de tecnologia depende de insumos nesse eixo, com a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company destacando vulnerabilidade diante de possíveis interrupções de suprimento.

O analista lembra ainda que 60% a 70% da produção global de chips vem de Taiwan, e que quedas prolongadas no fornecimento de gases raros podem agravar a crise tecnológica mundial. Ele ressalta que, em uma guerra prolongada, estoques e capacidade industrial dos EUA seriam pressionados.

Além disso, o abastecimento americano de defesa pode sofrer com compromissos de longo prazo, e a região pode ficar sem defesa suficiente contra mísseis iranianos, elevando o risco para aliados e ativos dos EUA no Oriente Médio. O cenário é descrito como potencialmente catastrófico para EUA e Israel.

Segundo Fernandes, apesar de o Irã ficar posicionado para extrair concessões ao fechar o estreito, a maior produção de petróleo mundial não impede que o preço interno de combustíveis nos EUA eleve a inflação, o que impacta a popularidade de Trump junto a eleitores indecisos e membros do Partido Republicano.

Risco político

Em novembro, as eleições legislativas nos EUA ampliam a atenção sobre a popularidade de Trump, já pressionada pela inflação causada pelas tarifas. O Irã, segundo especialistas, busca manter o controle sobre o espaço estratégico até obter condições que favoreçam sua posição.

Fontes: especialistas consultados pela Agência Brasil; avaliações de analistas geopolíticos consultados para o contexto regional.

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