- Quinhentos e quarenta e oito IR scholars participaram da pesquisa, realizada entre 3 e 5 de março; 86 por cento são contrários às ações dos EUA e de Israel contra o Irã, sendo 70 por cento fortemente contrários.
- Apenas 10 por cento apoiam o ataque e 4 por cento não têm posição definida; a oposição entre especialistas é maior que a rejeição na opinião pública.
- Os especialistas veem riscos para a segurança dos EUA e para a estabilidade regional, incluindo aumento provável de ataques terroristas e questionamentos sobre proliferação nuclear.
- A guerra já elevou incertezas sobre o futuro da China em relação a Taiwan, com grande parte dos pesquisadores acreditando que o conflito pode aumentar ou não ter efeito, dependendo do horizonte temporal analisado.
- Em termos de proliferação, 57 por cento entendem que o ataque tende a aumentar as chances de um ou mais países desenvolverem armas nucleares nos próximos cinco anos; apenas 16 por cento veem queda nessa probabilidade.
A pesquisa, conduzida pelo TRIP do Global Research Institute da William & Mary e pela University of Georgia, ouviu 949 especialistas em relações internacionais. Os questionários foram aplicados entre 3 e 5 de março, sobre a Guerra contra o Irã iniciada em 28 de fevereiro.
Os especialistas analisam a ofensiva coordenada entre Estados Unidos e Israel como desfavorável à segurança americana. O grupo aponta riscos crescentes de ataques terroristas e de proliferação nuclear na região e além dela.
Quase 86% dos respondentes se posicionaram contra a decisão de atacar o Irã, sendo 70% contrários com firmeza. Apenas 10% apoiaram a ação; 4% disseram não ter posição definida.
Em relação aos objetivos, a maioria duvida que a ofensiva aumente a segurança dos EUA. 81% avaliam que a ação reduzirá ou poderá reduzir a segurança, com 89% esperando maior probabilidade de ataques contra os EUA ou seus interesses.
Sobre o desfecho da escalada, 23% acreditam que a guerra pode favorecer a implantação de democracias no Irã, enquanto 32% veem maior risco de retrocesso democrático nas próximas cinco years. 46% entendem que a guerra não mudará esse cenário.
Quanto às projeções de proliferação nuclear, 57% consideram que o ataque aumentará esse risco, 16% veem possibilidade de redução, e o restante não vê impacto claro. A opinião majoritária é de piora nesse aspecto.
O estudo também avalia impactos sobre Taiwan. Em curto prazo, 48% dizem que não haverá efeito decisivo; 31% veem maior probabilidade de China agir contra Taiwan. A 5 anos, 45% apontam aumento das chances de uso da força pela China.
Em retrospectiva, os especialistas destacam que as previsões feitas antes de ataques a alvos nucleares no Irã, no ano anterior, indicavam riscos de retaliação, interrupção de comércio marítimo e ciberataques. Muitas dessas previsões se confirmaram parcialmente.
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