- O Serviço de Inteligência Exterior russo (SVR) acusou França e Reino Unido de planejar enviar armas de destruição em massa para Kiev, incluindo uma possível bomba nuclear ou bomba suja.
- O Kremlin respondeu com ameaças, afirmando que, se comprovadas, essas ações poderiam levar a Rússia a usar qualquer arma nuclear contra alvos na Ucrânia e, se necessário, contra países cúmplices.
- Dmitri Medvedev, vice-presidente do Conselho de Segurança russo, disse que a situação mudaria drasticamente caso haja transferência de tecnologia nuclear, e que a Rússia poderia recorrer a armas nucleares não estratégicas.
- O SVR informou que uma pequena ogiva francesa TN75 seria entregue a Kiev, com menção de que a Alemanha não participaria da suposta operação, embora não possua armamento nuclear próprio.
- O custo diplomático e a dúvida sobre como a Ucrânia lançaria tal arma foram destacados, com o porta-voz de Putin, Dmitri Peskov, dizendo que as informações serão consideradas nas negociações de paz em curso.
O Serviço de Inteligência Exterior russo (SVR) informou nesta terça-feira sobre planos atribuídos a França e ao Reino Unido de transferir tecnologia nuclear para a Ucrânia. Segundo o SVR, o objetivo seria entregar uma arma de destruição em massa para pressionar por condições mais favoráveis na cessação das hostilidades. As acusações foram veiculadas pouco antes do quarto aniversário da invasão russa à Ucrânia.
Em resposta, o entorno de Vladimir Putin elevou o tom e sinalizou possibilidade de ruptura nas negociações com o Ocidente. O vice-presidente do Conselho de Segurança, Dmitri Medvedev, afirmou que, se comprovadas as intenções, a Rússia poderia recorrer a qualquer arma nuclear, inclusive weapons não estratégicas, para neutralizar ameaças em território ucraniano e apoiar aliados.
O SVR também acusou que Paris e Londres planejariam enviar a Kiev uma pequena ogiva nuclear francesa, a TN75, associada a um míssil balístico lançado de submarino. O anúncio reconhece que a Alemanha não participou do que descreve como uma “aventura perigosa”, embora Berlim não possua armas atômicas. O SVR não detalhou como Kiev lançaria tal arma.
O porta-voz de Putin, Dmitri Peskov, afirmou que as negociações de paz poderiam ser impactadas pela alegada intervenção externa. Ele reiterou que a invasão de 2022 teve como objetivo enfrentar o regime de Kiev e ressaltou que a escalada não é favorável, mantendo a posição de Moscou de seguir adiante.
A Câmara alta do Parlamento russo, o Conselho da Federação, também pediu uma investigação à ONU e ao Organismo Internacional de Energia Atômica (OIEA). O órgão russo destacou que a doutrina nuclear do país considera ataque conjunto qualquer agressão de um estado não nuclear apoiado por uma potência nuclear.
Moscou recorre a antigas acusações para justificar a escalada no curso da guerra. Em 2022, o then ministro da Defesa russo mencionou a possibilidade de uma bomba suja usada por Kiev para provocar resposta internacional. Na época, as potências ocidentais temeram escalada, mas o conflito seguiu com o apoio militar condicionado a Kiev.
Um deputado da ala mais dura da Duma, Alexéi Zhuravlev, afirmou que Kiev não possui capacidade atual para fabricar armas nucleares, sugerindo que, se ocorrer, a arma seria de origem estrangeira. O Ministério das Relações Exteriores russo reiterou que qualquer suporte a Kiev para adquirir potencial nuclear seria visto como ameaça à segurança russa e receberia resposta severa.
Entre na conversa da comunidade