- O Irã mostrou que apagões da internet são plausíveis, com impactos ao acesso a notícias internacionais e à divulgação de evidências de violência.
- Outros regimes já restringem o acesso à rede: Rússia com versões limitadas, China com firewall, e Myanmar, Paquistão e Afeganistão explorando desligamentos setoriais.
- Durante anos, os EUA financiaram ferramentas para contornar censura; esse apoio foi cortado ou redirecionado, aumentando o risco de isolamento da população.
- Tecnologias de censura, vendidas por empresas estrangeiras, ganham escala e ajudam governos a controlar o tráfego de entrada e saída de informações.
- A fragmentação da internet pode se intensificar, com governos buscando infraestrutura e dados nacionais; a União Europeia pode tentar atuar, mas pode faltar recurso político.
Durante o pico do blecaute no Irã em janeiro, ocorreu uma interrupção massiva da internet, com acesso limitado a plataformas locais monitoradas pelo governo. Usuários conseguiam usar apps domésticos para mensagens, assistir vídeos em sites locais e ler notícias estatais, mas não conseguiam ver manchetes internacionais ou enviar evidências para fora do país.
O exemplo iraniano ilustra a emergência de uma “splinternet”, em que governos segmentam o acesso online para controlar informações e mobilizar repressões. Muitas regiões já enfrentam versões restritas: Rússia, China, Myanmar, Afeganistão e Paquistão adotam bloqueios ou filtragem de conteúdo.
Paralelamente, o esforço global financiado pelos EUA por quase duas décadas para dificultar shutdowns foi reduzido ou redirecionado, abrindo espaço para modelos de censura mais sofisticados. Técnicas de controle de entrada e saída de dados ganham apelo entre regimes autoritários.
Além disso, há uma expansão de tecnologias de censura exportadas por empresas chinesas e outras, vendidas para governos que desejam ferramentas precisas para bloquear conteúdo e monitorar tráfego. Operações semelhantes podem ter sustentado o bloqueio iraniano.
Especialistas afirmam que a facilidade de cortar o acesso à rede aumenta à medida que infraestruturas são nacionalizadas, diminuindo caráter global da internet. Países passam a depender menos de redes abertas e mais de redes sob controle estatal.
O debate público envolve a possível retomada de financiamento e cooperação para anticensura, especialmente na Europa, onde autoridades discutem soberania de dados e da infraestrutura digital. No entanto, há dúvidas sobre capacidade financeira e vontade política.
Caso se confirme a tendência, governos podem optar por fechar parte de suas redes para manter controle interno, com impacto direto na circulação de informações e na comunicação com o exterior. A situação sugere que o custo de impor apartheid digital pode diminuir nos próximos anos.
Especialistas ressaltam que, mesmo com avanços tecnológicos, a internet continua a depender de padrões globais de cooperação e transparência. A fragmentação atual cria riscos para a veracidade de informações e para a liberdade de imprensa em diversas regiões.
Entre na conversa da comunidade