- Trump usou tarifas e sanções para pressionar parceiros europeus e outros países, buscando impor condições econômicas aos seus favoráveis.
- Na Índia, Modi manteve posição diante das pressões de Trump, fortalecendo apoio popular, boicotes e manter preços estáveis, o que ajudou a resistir às tarifas.
- O Brasil, sob Lula, redirecionou as exportações para China, Golfo e Sudeste Asiático, mantendo volume e pressionando a reorientação de mercados, com tarifas suspensas posteriormente.
- A China mapeou pontos de estrangulamento econômico e retribuiu com restrições a minerais industriais, provocando impactos em fábricas, antes de condições mais brandas surgirem.
- A estratégia europeia passa por combinar firmeza, resiliência econômica e retaliação contida, aprendendo com outros casos, diversificando comércio e fortalecendo cooperação interna para futuras crises.
O artigo analisa como Trump usou a pressão econômica contra a Europa e por que a resposta europeia precisa ser diferente. Em fevereiro do ano anterior, ele reuniu o primeiro conselho de ministros de seu segundo mandato e sinalizou tarifas amplas sobre aliados europeus. Alega que os Estados Unidos continuam no centro do comércio mundial e que a retração europeia seria inevitável caso resistisse.
Ao longo do último ano, Washington produziu pressão econômica sobre a UE, o UK e outros parceiros, buscando acordos desequilibrados ou pressões para ceder. A percepção de que países europeus aceitariam condições desfavorecedoras tem se mostrado, em várias ocasiões, compatível com o que aconteceu na prática.
Para sustentar sua posição nos próximos anos, líderes europeus precisam adotar estratégias diferentes. A leitura de casos de Índia, Brasil e China mostra que é possível combinar firmeza, resiliência e retaliação de forma estruturada, sem abrir mão de interesses centrais.
Estrutura de resistência
A primeira etapa envolve mobilizar apoio público à defesa de autonomia econômica. O custo de perder acesso ao maior mercado mundial é relevante, mas não inviável a longo prazo; a experiência indiana mostra que união social é fundamental para sustentar decisões impopostas.
Redirecionamento estratégico do comércio
Em paralelo, é necessário buscar novos protagonistas para o comércio, reduzindo dependências. O caso brasileiro ilustra a reallocação de exportações para outros mercados, como China e regiões do Sudeste Asiático, com impactos significativos para a balança comercial.
Capacidade de resposta e medidas futuras
A terceira etapa envolve preparação para futuras pressões, mantendo opções de retaliação compatíveis com interesses nacionais. A relação entre parceiros, especialmente no âmbito tecnológico, exige equilíbrio entre custos e benefícios, evitando danos indiscriminados.
Europeus devem considerar lições de Xi Jinping sobre resposta a sanções, sem perder o foco na cooperação multilateral. As trocas entre EUA e Europa dependem de fatores complexos de interdependência econômica e tecnológica.
O objetivo não é alcançar uma denúncia unilateral, mas ter um plano claro para usar instrumentos de poder econômico de forma coordenada ao longo de crises futuras. A ideia é agir de maneira inteligente, evitando reflexos graves para ambos os lados.
Edward Fishman, diretor do Center for Geoeconomic Studies do Council on Foreign Relations, assina como autor da análise sobre como a guerra econômica está moldando o cenário mundial.
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