- O presidente dos EUA, Donald Trump, elogiou a invasão de 1846 ao México, descrevendo-a como “uma vitória lendária”.
- A mensagem gerou revolta no México, com a presidente Claudia Sheinbaum dizendo que o país deve defender sua soberania.
- Ex-camponista Arturo Sarukhan criticou o tom e disse que a declaração é inadequada para as relações bilaterais.
- A guerra resultou na cessão de 55% do território mexicano, incluindo estados como Califórnia, Nevada, Utah, Colorado, Novo México e Arizona.
- Algumas leituras veem a fala como pressão para intervenções futuras na região; outras a consideram um gesto histórico que reforça a memória de uma influência imperial.
A declaração de Donald Trump, na qual celebra a invasão norte-americana do México no século XIX, acendeu forte reação na vizinhança. A mensagem, publicada pela Casa Branca, descreve a campanha de 1846 como uma vitória lendária e aponta a guerra como reaproximação da soberania dos EUA em todo o continente, incluindo o impulso atual de políticas mais duras na região.
Reações no México foram rápidas e contundentes. A presidenta Claudia Sheinbaum afirmou, em coletiva de imprensa, que é fundamental defender a soberania do país diante de qualquer lembrança que possa favorecer intervenções. Observadores destacaram o tom de provocação que a mensagem transmite em um tema sensível na história bilateral.
Analistas mexicanos destacaram que, após a ocupação de grande parte do território mexicano na época, o país cedeu aproximadamente 55% de seu território à época, incluindo áreas que hoje correspondem a estados como Califórnia, Novo México e partes de Colorado, Arizona e Utah. A narrativa atual foi interpretada por alguns como um ressurgimento de uma visão imperial.
Reação internacional e leitura estratégica
A comunicação ocorre em meio a um acirramento da política externa norte-americana na região, com ações recentes envolvendo outros países latino-americanos. Em resposta à atuação de Washington, líderes mexicanos reforçam a busca por estabilidade, cooperação e defesa de fronteiras sem mudanças abruptas de alianças.
Especialistas divergem sobre o tom da mensagem. Enquanto alguns veem a afirmação como uma demonstração de memória histórica, outros interpretam como uma afirmação de capacidade militar e influência regional. A leitura sugere que o discurso pode visar moldar a memória política de futuros mandatos.
Um tema comum entre analistas é a ideia de que a mensagem revela a‑intenção de Trump de manter uma imagem de liderança global e de expansão de influência. A avaliação é de que o gesto busca marcar a forma como o ex-presidente quer ser lembrado, seja como protagonista de um renascimento de estratégias expansionistas ou como firme defensor de fronteiras nacionais.
Entre pesquisadores, há quem veja o episódio como um lembrete da importância de reconhecer e abordar feridas históricas para o relacionamento bilateral. A percepção é de que o episódio pode impactar o debate público sobre cooperação, soberania e segurança regional nos próximos meses.
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